sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Péssima jornada europeia para Portugal - tudo sobre os coeficientes da UEFA

Toda a gente sabe que as vitórias dos clubes portugueses na Europa contribuem para o coeficiente do nosso país que, por sua vez, determina quantas equipas podemos colocar na Liga dos Campeões e Liga Europa.

No entanto, nem sempre é fácil perceber o impacto imediato de cada resultado no dito coeficiente. É isso que este post tenta demonstrar. Também já tinha feito a mesma análise para a primeira jornada europeia

Até ao ano passado, estivemos em quinto lugar do ranking, mas, neste momento, estamos em sétimo, tendo sido ultrapassados por França e Rússia. Esses são os nossos adversários diretos e com os quais temos de nos preocupar.

Eis os resultados que conseguiram esta semana: (clique para ampliar)

Resultados de Portugal, França e Rússia na Europa

E, abaixo, deixo a evolução do coeficiente, que demonstra a forma como perdemos terreno quer para franceses quer para russos, nestas duas jornadas.

Evolução do coeficiente UEFA esta época
Como se pode ver, Portugal começou a época um pouco abaixo da França e praticamente em igualdade com a Rússia. No entanto, perdemos terreno nestas duas jornadas e corremos sérios riscos de terminar a época no sétimo posto.

Conclusão: Se é daquelas pessoas que tem dificuldade em torcer pelos outros clubes portugueses na Europa. Pelo menos torça contra franceses e russos!


P.S. - Estou também no Facebook e Twitter.

Notas: O coeficiente é dado pela média dos pontos obtidos durante as últimas cinco temporadas.
Atribuição de pontos: 2 pontos por vitória, um por empate (nas pré-eliminatórias e play-off é metade). 4 pontos pela presença na fase de grupos da Champions e 4 por apuramento para os oitavos. Um ponto extra por cada fase que se passa depois (oitavos, quartos, meias, final) quer na Champions, quer na Liga Europa.
Os pontos são divididos pelo total de clubes que cada país apura. Os nossos pontos são a dividir por seis (tal como os de França). Os pontos da Rússia são divididos por 5.
Equipas portuguesas: Benfica, Sporting, Porto, Braga, Arouca (eliminado), Rio Ave (eliminado)
Equipas francesas: PSG, Lyon, Monaco, Nice, Saint-Étienne, Lille (eliminado)
Equipas russas: CSKA, Rostov, Zenit, Krasnodar, Spartak de Moscovo (eliminado)

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Quem correu mais na Champions? William ou Danilo? Bas Dost ou André Silva? João Pereira ou Grimaldo?

Tal como na jornada anterior da Liga dos Campeões, o Sporting voltou a ser a equipa portuguesa que mais quilómetros percorreu. O Porto ficou no extremo oposto, mas desta vez com uma diferença ainda maior para Sporting e Benfica.

Se, após a primeira jornada, se poderia pensar que o Sporting tinha sido obrigado a correr mais por ter jogado no Bernabéu, enquanto Benfica e Porto tiveram jogos mais acessíveis, os registos desta jornada demostram que não foi esse o caso. Provavelmente, é o modelo de Jorge Jesus que obriga os jogadores a percorrerem maiores distâncias.

Distâncias percorridas na segunda jornada da Liga dos Campeões

Aliás, a equipa do Sporting foi a sétima que mais quilómetros percorreu nestas duas jornadas da Champions. Nesse ranking, Benfica não está muito longe (10.º lugar), enquanto o Porto está já na metade das que menos correm (19.º lugar). (clique para ampliar)

Distâncias percorridas nas duas primeiras jornadas da Liga dos Campeões

À partida, diria que o ideal seria conseguir bons resultados, correndo o menos possível. Real Madrid e Borussia Dortmund parece ser especialistas nisso. No entanto, vendo que equipas como Manchester City, Atlético de Madrid, Nápoles e Tottenham correram ainda mais que o Sporting, não me parece que seja algo preocupante.

Olhando os dados individuais destas duas jornadas, também há factos curiosos:

  • William Carvalho (22,4 km) foi o jogador que mais correu de entre as equipas portuguesas. Já correu mais 1,4 km que o Danilo do Porto (21 km), por exemplo, que também fez os dois jogos completos.
  • Bas Dost (22,4 km), típico avançado de área, com o seu 1,95 m, já correu mais 1,2 km do que o móvel André Silva (21,2 km), que também fez os dois jogos completos.
  • João Pereira (22,3 km), de 32 anos, correu mais do que Grimaldo (21 km) ou Nélson Semedo (19,8 km).

Claro que correr mais não significa ser melhor. Pode-se correr muito e mal e pode também haver jogos que, simplesmente, não exigem que se corra tanto. Faz também muita diferença saber o ritmo a que se corre. Deixo estas curiosidades aqui apenas porque se perguntarem a alguém quem é que corre mais entre os pares William vs Danilo; Bas Dost vs A. Silva; ou João Pereira vs Grimaldo, provavelmente a resposta intuitiva estará errada.

P.S. - www.facebook.com/superioridadenumerica
 www.twitter.com/supnumerica

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O Sporting e a sua (estranha) gestão de esforço

Foi ontem evidente que, na segunda parte, o Sporting baixou o ritmo de jogo a pensar na gestão de esforço para o próximo jogo.

Pressionou menos, deixou o adversário equilibrar a posse de bola e ainda apanhou uns sustos. Consultei os dados estatísticos do jogo para ver se se confirmavam estas ideias. Na generalidade, sim.  

Gestão do esforço frente ao Legia


Na segunda parte:
- O Sporting teve menos posse de bola : passou de 59% para 52%.
- Rematou muito menos: 11 remates na primeira parte, 4 na segunda.
- Pressionou menos, permitindo que o adversário melhorasse muito o acerto nos seus passes:  na primeira parte, o Legia acertou 75% dos passes, na segunda acertou 88%.

Mas há um dado surpreendente: o Sporting correu mais no segundo tempo do que no primeiro. Na primeira parte, correu 54,5 km e, na segunda, correu 58,1 km, o que é uma diferença considerável (7%).

A distância percorrida está longe de ser um indicador perfeito do esforço despendido. Na segunda parte, o Sporting correu mais, mas a um ritmo mais baixo e, portanto, com menos esforço. Mas, ainda assim, os números surpreenderam-me. Ao tentar gerir o esforço, o Sporting correu mais e, mesmo assim, não se pode dizer que tenha controlado perfeitamente a partida, porque podia ter sofrido um golo.

Para tentar perceber se estes números são normais, fui ver o que aconteceu noutros jogos em que o favorito tinha o resultado controlado ao intervalo.


Gestão do esforço: Juventus, Borussia, City

A Juventus, ontem, tal como o Sporting, vencia por 2-0 ao intervalo (em casa do Din. Zagreb). Os italianos também permitiram que o seu adversário melhorasse muito o acerto nos passes na segunda parte (de 77% para 86%), no entanto, subiram a percentagem de posse de bola (de 64% para 67%) e correram bastante menos. (52 km em vez de 55,9 km). É importante notar também que a Juve fez o 0-3 aos 57 minutos, o que deverá ter retirado qualquer esperança ao Zagreb.

Verifiquei também o Legia 0-6 Borussia Dortmund, da jornada passada. Aos 17 minutos, os alemães já venciam por 0-3 e, como esperado, tiveram de correr menos na segunda parte (51 km, em vez de 54,1 km).

Procurei outro jogo em que o resultado em intervalo fosse 2-0, mas que se mantivesse assim durante mais tempo, para ser mais comparável com o jogo do Sporting de ontem. O Manchester City, na jornada passada, vencia o Monchengladbach por 2-0 desde os 28 minutos e só chegou ao terceiro golo aos 77'. Também os ingleses conseguiram poupar-se na segunda parte: 58,9 km percorridos na primeira parte, 57 km na segunda.

Conclusão

Parece-me que o Sporting tem de aprender a gerir melhor o resultado. Talvez a opção deva passar por fazer essa gestão através da posse de bola, em vez de recuar e deixar que o adversário tenha mais iniciativa. É que, ontem, o Sporting não conseguiu ter o jogo totalmente controlado, nem conseguiu gerir o esforço tão bem como desejaria.

A atitude do adversário poderá também ajudar a explicar o que se passou. O Legia tinha um treinador novo e, por isso, os seus jogadores estariam, naturalmente, mais motivados, nunca tendo desistido do jogo. É que não foi só o Sporting que correu mais na segunda parte, claro. O Legia também correu mais e fez o dobro das faltas (5 na primeira, 11 na segunda), o que poderá ser um indicador de aumento de competitividade.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Sá Pinto, Jorge Jesus e o que vale a imagem de um treinador

Sá Pinto foi demitido do Al Fateh, da Arábia Saudita, ao fim de apenas quatro jornadas, em que somava três derrotas e um empate.

O ex-internacional português segue assim a sua carreira descendente de treinador, quer olhando para o nome dos clubes que foi treinando:

Sporting - Estrela Vermelha - OFI Kreta - Atromitos - Belenenses - Al Fateh

... quer olhando para a média de pontos conquistados por jogo (o que estará relacionado também com o facto de ir treinando equipas cada vez piores): (Clique para ampliar)



Nem tudo é mau na carreira de Sá Pinto, obviamente. Na Liga Europa, conseguiu alguns bons resultados, levando o Sporting às meias-finais, e conseguindo colocar o Belenenses na fase de grupos. No Estrela Vermelha teve um início muito bom com oito vitórias consecutivas (a que se seguiram três derrotas também consecutivas).

Mas, até agora, Sá Pinto não teve ainda nenhuma experiência verdadeiramente convincente e a sua carreira de treinador está num ponto muito difícil, que o deverá obrigar a uma pausa.

O que é curioso é que Sá Pinto parece conseguir sempre novas oportunidades. Desde que começou a carreira de treinador, foi pouquíssimo o tempo que esteve desempregado, embora os seus resultados nunca tenham sido convincentes.

Faça-se o paralelismo com Jorge Jesus, por exemplo. Aos 43 anos, Sá Pinto parece já ter esgotado as melhores oportunidades da carreira. Com a mesma idade, Jesus ainda treinava o Felgueiras e ainda teria de esperar muito para chegar a um grande. Só aos 55 anos foi para o Benfica.

O objetivo do post não é atacar Sá Pinto, de quem gosto muito e que vai fazendo pela vida. O objetivo é notar que, no futebol, um dos principais fatores para escolher um treinador é a sua imagem. Ter sido um jogador internacional e falar bem é meio caminho andado para ter oportunidades nos principais campeonatos europeus.

Sá Pinto trabalha bem a sua imagem (e, provavelmente, a sua rede de contactos). Jorge Jesus nunca se preocupou com isso. Provavelmente, estará aí a explicação para não ter chegado mais depressa a um grande e não conseguir sair para um grande europeu, onde pudesse disputar a Liga dos Campeões.

Golos de Bas Dost e de Slimani

Bas Dost teve um início fulgurante no Sporting, com quatro golos em quatro jogos. O holandês já marcou dois golos de cabeça e dois de pé direito e, para já, vai fazendo esquecer Slimani. Que mais se pode esperar de Bas Dost?

Recolhi informação sobre todos os golos marcados por Bas Dost e Slimani nas últimas épocas. Considerei as últimas quatro épocas do holandês, desde que se mudou para Alemanha, e as últimas três do argelino, que foram as que esteve no Sporting.

Golos de Slimani e de Bas Dost


Apesar da sua altura, Bas Dost marca muito mais golos de pé direito do que de cabeça. Ainda assim, marcar 23% dos golos pelo ar é um registo bastante bom e que, em Portugal, é provável que seja melhorado. No entanto, Slimani tem números impressionantes nesse aspeto. Deve haver muito poucos pontas-de-lança na Europa que tenham feito 24 golos de cabeça só nos últimos três anos.

De notar também que Slimani fez vários golos de pé esquerdo, enquanto Bas Dost parece estar muito mais dependente do seu pé direito.

Quanto à zona do campo onde são mais perigosos, aí não há dúvida de que se tratam de dois pontas-de-lança de área. Dos 57 golos de Slimani, apenas três surgiram de remates fora da área (um deles ao Braga, na final da Taça), enquanto Bas Dost apenas marcou um golo for da área nos últimos três anos, que foi... na última sexta-feira, frente ao Estoril!

Assim, este ano o Sporting continua a ter um avançado muito forte dentro da área, sendo de esperar menos golos de cabeça e mais com o pé direito. Vamos ver se se confirma.

sábado, 24 de setembro de 2016

Um minuto de classe de William - Vídeo

Mais um jogo cheio de passes para trás e para o lado como só o William Carvalho sabe fazer.

Eis a exibição de William frente ao Estoril, condensada num minuto:


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Zlatan Ibrahimovic - o início

O programa Fiebre Maldini recuperou esta semana uma reportagem sobre o início de carreira de Zlatan Ibrahimovic. Vale a pena ver.

Zlatan chegou ao Inter com 22 anos e, a partir daí, não passou despercebido a ninguém, mas é interessante conhecer a história antes disso. Aos 19 anos, Ibra andava pela segunda divisão sueca, mas já era o mesmo tipo que vemos agora, com enorme confiança em si próprio, provocador e com um sentido de humor desconcertante. Deixo aqui alguns momentos da reportagem.


Infelizmente, já não poderemos ver Ibra durante muitos mais anos no relvado. De qualquer forma, as histórias e mitos à sua volta ficarão sempre. Já ouviu, com certeza, algumas anedotas sobre Zlatan (também muitas vezes contadas em relação a Chuck Norris). Diz-se, por exemplo, que:

- Quando Alexander Bell inventou o telefone, já tinha três chamadas não atendidas de Zlatan.
- O pai de Zlatan chama-se Zlatan Junior.
- Uma vez, Zlatan fez o teste do polígrafo. A máquina confessou tudo.

Aqui deixo-lhe mais uma do mesmo género, mas que é verdadeira. Um dia, Zlatan estava no banco e a sua equipa perdia por 3-0. Zlatan entrou e...


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Com Jesus tem de se escolher entre Europa e Campeonato?

A derrota do Sporting frente ao Rio Ave fez com que muita gente lembrasse a fama que Jorge Jesus tem de não saber gerir bem as competições europeias com as nacionais e de que, com ele, tem de se escolher: ou campeonato, ou Europa.

O certo é que, logo após a primeira jornada da Liga dos Campeões, o Sporting caiu com estrondo em Vila do Conde e, na época passada, a seguir a receber o CSKA, também tinha escorregado, frente ao Paços de Ferreira, em Alvalade. Estes resultados parecem revelar alguma dificuldade de Jesus em gerir a equipa após os grandes confrontos europeus. Será mesmo assim?

Para responder à questão, fui ver o que acontecia ao Benfica de Jesus após jogos da Liga dos Campeões. Considerei apenas jogos da fase de grupos porque são mais fáceis de comparar de ano para ano em termos de dificuldade e de calendário.

Com o Benfica, Jesus participou cinco vezes na Liga dos Campeões, ou seja, fez 30 jogos na fase de grupos da competição. Nos 30 jogo imediatamente a seguir (tenha sido para o campeonato ou Taça), Jesus venceu 26 vezes, empatou duas e perdeu outras duas. As duas derrotas foram frente a Porto e Braga e os empates foram com  Braga e Académica, sempre fora de casa. Apenas o empate frente à Académica é um resultado inesperado. Perder no Dragão e perder ou empatar na Pedreira são resultados que estão dentro da normalidade, mesmo que não fossem após um jogo europeu. Assim, não parece que Jesus tenha particular dificuldade nos jogos imediatamente a seguir à Champions.

Aliás, nestes 30 jogos para competições nacionais, a média de pontos de Jesus foi de 2,66 (80 pontos em 30 jogos), melhor do que a média que o seu Benfica fez em qualquer um dos campeonatos, portanto, o Benfica de Jesus até fazia melhores resultados depois das noites europeias do que nos restantes jogos.

Deixo, abaixo, a tabela com todos os resultados de Jorge Jesus na fase de grupos da Liga dos Campeões. (Clique na imagem para ampliar)

Resultados de Jorge Jesus no Benfica a seguir a jogos da Liga dos Campeões

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Compras e Vendas: quem mais recebeu e quem mais gastou

O CIES - Football Observatory publicou hoje a lista dos clubes que mais dinheiro receberam de transferências*, desde 2010, e, sem surpresa, os clubes portugueses aparecem muito bem posicionados.

Benfica e Porto ocupam o 4.º e 5.º lugares, respetivamente, entre as equipas que mais faturaram., enquanto o Sporting surge em 33.º lugar. Fora das cinco principais ligas (Espannha, Alemanha, Inglaterra, Itália e França), Benfica e Porto são líderes destacadíssimos em vendas, e o Sporting surge em 4.º lugar, atrás do Ajax. (Clique na imagem para ampliar)


 Juntando esta lista à da semana passada, que mostrava os 20 maiores gastadores desde 2010, é possível ver quais são os clubes que têm um saldo mais negativo entre compras e vendas.


Curiosidades
 
Os piores gastadores
Destaque pela negativa para Milan e Inter que, mesmo com todo o dinheiro que investiram, têm uma equipa bastante menos competitiva do que em 2010.
Liverpool e Arsenal também não mostram grandes melhorias, mas aí é preciso lembrar que têm na sua liga três dos maiores gastadores: Man. City, Man. United e Chelsea, portanto, mesmo que Liverpool e Arsenal tenham melhorado desde 2010, os rivais terão obrigação de ter melhorado mais ainda.


Barcelona e Real Madrid
Barcelona tem um saldo bastante mais negativo do que o do Real Madrid, o que contraria a ideia que temos dos dois clubes. O Barça é visto como um clube que aproveita muito melhor a sua formação, enquanto o Real é o clube das contratações galáticas. Pelos vistos, isso inverteu-se desde 2010 (e, pelo meio, o Barcelona esteve uma época proibido de inscrever jogadores!).


Nota: os valores de vendas incluem apenas vendas para as cinco principais ligas europeias (Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália e França). As transferências para outras países não costumam ser muito significativas, pelo que, o quadro apresenta uma boa aproximação da realidade.

Rotações e resultados pós-Champions

Porto e Sporting perderam pontos ontem, facto a que não será alheio o desgaste causado pelos jogos de quarta-feira para a Liga dos Campeões. Como era de esperar, ambos os treinadores rodaram jogadores e é nisso que me foco hoje.

No post de ontem, sobre quem mais correu na Liga dos Campeões, tinha referido Bas Dost e Bryan Ruiz, no Sporting, e Óliver e Danilo, no Porto, como os jogadores que mais correram. Não terá sido coincidência o facto de estes quatro jogadores terem sido poupados ontem. Além destes, Jesus fez também descansar Zeegelar e João Pereira, e Nuno deixou no banco Marcano, Herrera e Corona. Serão mudanças a mais?

Para responder à questão, fui ver o que fizeram as outras equipas da Champions. Registei as alterações feitas no onze inicial das equipas dos cinco principais campeonatos europeus (Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália e França). Considerei as alterações que foram feitas no onze inicial, mesmo que tenham sido forçadas por castigo ou lesão.


O mais comum foi fazer três ou quatro rotações. Houve também quem fizesse apenas uma (Leicester e Lyon) e o caso mais extremo foi o do Sevilha, que mudou oito jogadores. Assim, as alterações de Sporting (4) e Porto (5) parecem estar dentro do normal. Há, no entanto, que ter em conta uma diferença importante entre Portugal e os outros países que estou a considerar. Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália e França terão jogos a meio desta semana, o que acentua a necessidade de gerir o esforço dos jogadores. Em Portugal, só se volta a jogar no próximo fim de semana.

Ao contrário do que aconteceu com Sporting e Porto, a maior parte das equipas da Champions conseguiu bons resultados. Das 17 equipas que apresento no quadro, quase todas (13) venceram este fim de semana. Dessas, muitas até venceram por três golos ou mais. Foram os casos de Dortmund, PSG, Atlético, Barcelona, Man. City, Arsenal, M’gladbach, Monaco e Leicester. As únicas equipas da Champions que perderam nesta jornada dos principais campeonatos foram Juventus e Leverkusen, enquanto Lyon e Sevilha empataram os seus jogos.


domingo, 18 de setembro de 2016

Quem mais correu na Liga dos Campeões?

Depois da primeira jornada da Liga dos Campeões, Porto e Sporting entram hoje em ação, enquanto o Benfica recebe amanhã o Braga. Estas são sempre jornadas de risco para os grandes, devido ao desgaste acumulado nos jogos a meio da semana. No quadro abaixo, apresento as distâncias totais percorridas por cada equipa. (Pode clicar na imagem para aumentá-la)


O Sporting foi a equipa que mais correu, com alguma diferença para Benfica e Porto que estão bastante próximos um do outro. Por isso e também porque é inevitável que haja algum relaxamento ao passar do Bernabéu para o Estádio dos Arcos, parece-me que o Sporting é a equipa que corre mais riscos de perder pontos nesta jornada.

O Benfica acabou por ter alguma sorte com o calendário, porque terá mais dois dias de descanso que o Braga, que jogou na Liga Europa. Ainda assim, o jogo não será fácil e as muitas lesões no plantel dos encarnados não dão grande margem para fazer rotações ou refrescar a equipa.

No Sporting os jogadores que mais correram foram Bas Dost, William e Bryan Ruiz, no Benfica foram André Horta, Salvio e Guedes, enquanto no Porto foram Óliver, Danilo e André Silva. De resto, Óliver foi, de todos os jogadores em prova, o terceiro que mais correu (12449 m), tendo ficado apenas atrás de Jorginho do Nápoles (12754 m) e de... Bernardo Silva (12564 m). Claro que estes dados, isolados, não significam grande coisa. Basta lembrar que Messi só precisou de correr 7892 metros para fazer um hattrick frente ao Celtic.



É curioso também o facto de Sporting e Benfica terem corrido bastante mais do que os seus adversários (Real Madrid e Besiktas, respetivamente). Será que isso ajuda a explicar o  facto de ambos terem deixado escapar a vitória nos minutos finais?

sábado, 17 de setembro de 2016

Portugal em 7.º no ranking UEFA – tudo sobre as contas que temos de fazer

Depois de cinco épocas consecutivas no 5.º lugar do ranking de clubes da UEFA, Portugal corre sérios riscos de ser ultrapassado por França e Rússia. Eis a evolução do nosso coeficiente ao longo dos últimos anos.


Aliás, se a época terminasse agora, baixaríamos para o sétimo lugar. É que, apesar de termos terminado a época passada em quinto, este ano já começámos em sétimo. Como o coeficiente é dado pela média dos pontos dos últimos cinco anos, agora deixa de contar a época 2011-12, em que tínhamos feito mais pontos que franceses e russos.

Para evitar cair para sétimo lugar, temos de somar mais pontos nesta época que os dois países referidos. O problema é que esta jornada não ajudou nada a isso. No início desta semana, estávamos a 0,5 pontos da Rússia e 1,5 de França. Agora estamos a 1 e a 2, respetivamente.

Abaixo deixo os resultados desta semana e como contribuíram para o nosso coeficiente. (Pode clicar na imagem para a aumentar)

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Um dos nosso problemas é o o facto de já só termos quatro das nossas equipas em prova (Arouca e Rio Ave foram eliminados). França ainda tem cinco equipas (só o Lille ciau) e a Rússia tem quatro como nós, mas começou com apenas cinco, por isso, os pontos de cada uma das suas equipas têm uma contribuição maior para o coeficiente total.
Abaixo, deixo a evolução dos coeficientes desde o início desta época.



Como se vê, partimos atrás e, nesta jornada, ainda ficámos mais longe. Para a próxima, já sabe contra quem deve torcer!


Notas: 
O coeficiente é dado pela média dos pontos obtidos durante as últimas cinco temporadas.
Atribuição de pontos: 2 pontos por vitória, um por empate (nas pré-eliminatórias e play-off é metade). 4 pontos pela presença na fase de grupos da Champions e 4 por apuramento para os oitavos. Um ponto extra por cada fase que se passa depois (oitavos, quartos, meias, final) quer na Champions, quer na Liga Europa.
Os pontos são divididos pelo total de clubes que cada país apura. Os nossos pontos são a dividir por seis (tal como os de França). Os pontos da Rússia são divididos por 5.
Equipas portuguesas: Benfica, Sporting, Porto, Braga, Arouca (eliminado), Rio Ave (eliminado)
Equipas francesas: PSG, Lyon, Monaco, Nice, Saint-Étienne, Lille (eliminado)
Equipas russas: CSKA, Rostov, Zenit, Krasnodar, Spartak de Moscovo (eliminado)

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Cavaleiro, Guedes e Gelson: um deles não é internacional.

Noutro dia, já tinha abordado os casos de jogadores que se tornam internacionais ao fim de poucos jogos por um grande. Volto a fazer esse exercício, comparando agora os casos de Ivan Cavaleiro e Gonçalo Guedes com o de Gelson Martins.

Os três são jovens extremos portugueses, mas só um deles não é internacional pela seleção A. O quadro abaixo apresenta os registos* de Cavaleiro e Guedes até ao dia em que se estrearam pela seleção e os registos de Gelson até hoje.



Gelson ainda não convenceu o selecionador, apesar de já ter jogado o triplo dos minutos de Cavaleiro e quase o dobro dos de Guedes na altura em que foram chamados. A comparação em termos de golos e assistências (mesmo fazendo a média por minuto) também é favorável a Gelson.

O que é estranho nisto tudo não é o facto de Gelson ainda não ser internacional A. Conseguir chegar à seleção principal com 19 ou 20 anos é um feito (que deveria estar) só ao alcance de verdadeiros prodígios. Cristiano Ronaldo, por exemplo, foi chamado com 18 anos. (Mesmo assim, só foi chamado depois de já ter sido contratado pelo Manchester). Além disso, a nossa seleção está muito bem servida de jogadores que podem atuar nas alas. Com Ronaldo, Nani, Rafa, Bernardo Silva ou Quaresma, é complicado para um miúdo de 21 anos encontrar lugar.

Estranho mesmo é como é que Guedes e Cavaleiro chegaram lá tão depressa e mostrando tão pouco.


*Todos os dados são retirados de www.transfermrkt.com. Acrescentei apenas os dados relativos ao Sporting - Moreirense, que ainda não estão atualizados no referido site. Só considerei o tempo jogado pela equipa principal.

A tabela foi atualizada às 9h45. Na tabela que postei inicialmente tinha-me esquecido de incluir os dois jogos que Gelson fez ainda na época 2014-15, na Taça da Liga.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Mau sinal: perder pontos com equipas do Pote 4

Benfica e Porto tiveram, esta semana, aquele que seria o seu jogo teoricamente mais fácil na fase de grupos da Liga dos Campeões, por ser em casa e frente à equipa que saiu do Pote 4.

Por curiosidade, fui ver quais os resultados de equipas portuguesas nessas circunstâncias, nas últimas dez temporadas:


Nos últimos 10 anos, tivemos 23 participações de equipas portuguesas na Liga dos Campeões. Em 23 jogos em casa frente ao adversário do quarto pote, as equipas portuguesas venceram por 18 vezes, como se pode ver no quadro.

Perder pontos neste tipo de jogos costuma ser mau sinal. Das cinco vezes em que aconteceu, só numa delas a equipa conseguiu passar a fase de grupos. Foi o Porto, em 2008-09, que até passou em primeiro lugar.

Ainda assim, Porto e Benfica continuam a ser claros favoritos a passar o grupo. É verdade que já desperdiçaram dois pontos que, habitualmente, estão garantidos, mas, agora, só têm de fazer o que Rui Vitória disse: ir buscá-los a outro lado.

Sporting, Benfica e estilos de jogo

Grande exibição do Sporting ontem, no Bernabéu, demonstrando personalidade e mantendo-se sempre fiel ao seu estilo de jogo, com grande qualidade na troca de bola.

Comparei o número de passes feitos por cada um dos três grandes nesta jornada da Liga dos Campeões e encontrei um facto surpreendente: o Sporting, no Bernabéu, fez mais passes e com maior percentagem de acerto do que o Benfica a jogar em casa frente ao Besiktas.


Claro que o objetivo do jogo não é ser a equipa que mais passes faz. Há várias estratégias possíveis para vencer e todas poderão ser válidas. (Leicester e Barcelona foram campeões a época passada com estilos muito diferentes).
Partilho este dado relativamente ao número de passes de Benfica e Sporting apenas porque é revelador quanto à forma como os rivais de Lisboa jogam.

O Porto foi a equipa portuguesa que mais passes fez e com mais acerto, o que se deverá também ao facto de ter defrontado o adversário teoricamente mais fraco e reduzido a 10 durante 30 minutos.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Análise ao Sporting na TV espanhola - Vídeo

O azar que o Sporting teve no sorteio da Liga dos Campeões trouxe, por outro lado, a sorte de estar hoje num dos maiores palcos futebolísticos do mundo.

Ontem, no Chiringuito de Jugones, um dos programas de futebol com mais audiência em Espanha (e também na América do Sul), foi feita uma breve análise ao Sporting. Estas análises são interessantes não porque os jornalistas espanhóis saibam mais dos clubes portugueses do que nós, mas para sabermos como é que eles nos vêem lá fora.

Assim, o Sporting é apresentado como uma “equipa em construção”, devido às saídas de Slimani e João Mário, e que gosta de abrir muito o jogo. O vídeo destaca “Jorge Jesus, o estratega”, William Carvalho, Gelson Martins (e a “prolífica cantera do Sporting”), o “multiusos” Bryan Ruiz e Bas Dost. Na defesa, “os centrais são algo lentos”, mas há “Rui Patrício, a muralha”. Veja o vídeo.



terça-feira, 13 de setembro de 2016

Champions: O sorteio do Sporting (e do Pote 3)

Depois de ter analisado a sorte de Benfica e Porto na Champions, chega a vez do Sporting e restantes equipas do Pote 3.

Usando os coeficientes UEFA como indicador da qualidade de cada equipa, conclui-se que o Sporting ficou no segundo grupo mais forte da competição, apenas atrás do grupo que reúne Bayern, Atlético, PSV e Rostov.

No quadro abaixo, apresento a soma dos coeficientes dos três adversários que caíram em sorte (ou azar) a cada equipa do Pote 3:


Como se vê na tabela, o Sporting tem razões para se queixar da sua sorte na Liga dos Campeões. O Real Madrid era a equipa com o coeficiente mais alto de entre todas as que estão na competição, enquanto o Borussia era a segunda equipa mais forte do Pote 2 (de acordo com o seu coeficiente), superada apenas por Atlético de Madrid.

No entanto, dado que o principal objetivo é passar à próxima fase, não é necessário bater a equipa mais forte do grupo. Cada clube "só" tem de ficar à frente de dois dos seus adversários. No quadro abaixo, apresento a soma dos coeficientes dos dois adversários mais fracos para cada equipa do Pote 3:

O cenário não melhora muito para o Sporting. É verdade que PSV (que terá de superiorizar-se a Atlético e Rostov) e Monchengladbach (que terá de superar o Man. City e o Celtic) tiveram ainda mais azar, mas bater Borussia e Legia não será nada fácil.

No outro extremo, saiu a sorte grande ao Club Brugge, que tem de rivalizar "apenas" com Leicester e Copenhaga. Os belgas continuam a não ser favoritos para passar o grupo, mas, estando no Pote 3, dificilmente podiam pedir melhor.

Cabe agora aos jogadores, em campo, contrariarem todas estas análises.

Champions: O sorteio do Porto (Pote 2)

Tal como fiz para o sorteio do Benfica e do Pote 1, hoje olho o sorteio do Porto e do Pote 2.

Vejamos a soma dos coeficientes dos três adversários de cada equipa:


Como já se sabia, o Porto foi a equipa do Pote 2 que mais sorte teve. Aliás, dificilmente o Porto poderia ter tido mais sorte (de acordo com os coeficientes dos adversários). No Pote 1, o Leicester era, de longe, a equipa com o pior coeficiente. No Pote 3, o Club Brugge era a segunda equipa com coeficiente mais baixo e no Pote 4, o Copenhaga também era a segunda equipa mais fraca.

Aliás, o coeficiente do Porto (92.616) é mais alto do que o dos seus três adversários somados! Este é, claramente, o grupo mais fraco da competição. O coeficiente das equipas do grupo do Sporting, por exemplo, é mais do dobro dos coeficientes deste grupo.

Nesta análise, estou a considerar todas as equipas de cada grupo, mas, dado que o objetivo principal é passar à fase seguinte, basta que cada equipa fique à frente de dois adversários. No quadro abaixo, somei os coeficientes dos dois elementos mais fracos de cada grupo, para determinar quão fácil será passar aos oitavos de final.


Sem surpresa, o Porto é quem tem a tarefa mais facilitada. Deste ponto de vista, a segunda equipa com mais sorte no Pote 2 foi o Atlético, que, apesar de ter o Bayern no seu grupo, apenas tem de ficar à frente de PSV e Rostov. O Borussia de Dortmund está numa situação parecida: tem uma equipa fortíssima no grupo (Real Madrid), mas pode considerar que teve sorte, dado "só" ter de ficar à frente de Sporting e Legia.

Tudo isto, assumindo que os coeficientes de cada clube representam fielmente a qualidade das equipas. Em campo, logo veremos se isso é mesmo assim.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Champions: O sorteio do Benfica (e do Pote 1)

Com a Liga dos Campeões prestes a começar, decidi analisar a sorte (ou azar) de cada um dos três grandes no sorteio.

É difícil comparar a sorte de equipas que estavam em potes diferentes. Por exemplo, já seria de esperar que o Sporting tivesse um grupo mais complicado que Benfica e Porto, simplesmente porque estava no Pote 3. Assim, vou analisar separadamente a sorte das equipas de cada pote. Comecemos pelo primeiro pote, onde estava o Benfica.

Para determinar a dificuldade de cada grupo, baseei-me no coeficiente de cada clube. O coeficiente nem sempre representa bem a qualidade dos clubes (Monaco e Leicester, por exemplo, têm um coeficiente demasiado baixo para a qualidade das suas equipas), mas em geral é uma boa aproximação. Comparei o coeficiente de cada clube com a odd que a Betclic atribuía para a vitória na competição (antes do sorteio) e a correlação é muito alta: 0,8.

Somando os coeficientes dos três adversários que cada equipa terá de enfrentar na fase de grupos, chegamos aos seguintes resultados:


Quanto maior o valor da soma, maior a dificuldade que se irá enfrentar. Assim, conclui-se que o PSG tem o grupo mais difícil e o Leicester o mais fácil. Não se pode dizer que o Benfica tenha tido muita sorte nem muitob azar.

Mas, dado que para passar à fase seguinte basta ficar num dos dois primeiros lugares do grupo, é interessante analisar quem terá essa tarefa mais facilitada. Para isso, somei apenas o coeficiente das duas equipas mais fracas de cada grupo:

 Assim, conclui-se que o Benfica está no terceiro grupo mais difícil de passar (da perspetiva dos clubes do Pote 1), tendo de superar Din. Kiev e Besiktas. O Leicester é o que tem tarefa mais fácil, basta ficar à frente de Club Brugge e Copenhaga.

A partir de amanhã, veremos se a sorte e o azar se confirmam dentro de campo. E claro que, dentro do Pote 1, até o mais azarado continua a ser favorito a passar.

domingo, 11 de setembro de 2016

Os amarelos de Maxi no Porto e no Benfica

Enzo Pérez viu, hoje, o 23.º amarelo pelo Valência em 48 jogos, o que dá praticamente um cartão a cada duas partidas. Desde que está em Espanha, Enzo recebe um cartão amarelo a cada 139 minutos!  (E, hoje, já depois de ter visto o amarelo, ainda viu o vermelho direto, na segunda parte).

Falando em jogadores agressivos, lembrei-me de... Maxi Pereira. Há cerca de um ano, o uruguaio entrou para a história do futebol português, ao ser o jogador mais rápido de sempre a completar uma série de cinco cartões amarelos. Bastaram sete jornadas e Maxi já tinha de cumprir um jogo de suspensão.

Esse incrível início de época de Maxi, levou à indignação de muitos adeptos portistas que (como neste post do Reflexão Portista), viam nestes registos de Maxi a prova de que, no Benfica, o jogador era protegido pelos árbitros. Curiosamente, esse tipo de queixas deixou de se ouvir pouco depois.

Agora que já passou uma época inteira, fui verificar os amarelos que Maxi viu no Porto com os que via no Benfica. Considerei os jogos de todas as competições portuguesas desde a época 2009-10 (que julgo que foi quando Maxi se fixou definitivamente como lateral direito) e... Maxi via mais amarelos (por minuto) no Benfica do que viu na última época, no Porto.

Nos 195 jogos que disputou nas competições nacionais pelo Benfica desde 2009-10, o uruguaio viu 68 amarelo (incluindo um que foi segundo amarelo e que deu expulsão). Em média, Maxi viu um amarelo a cada 244 minutos de jogo (um registo bem mais modesto do que o de Enzo no Valência). Pelo Porto, Maxi viu 11 amarelos em 35 partidas, a uma média de um amarelo a cada 286 minutos.

O gráfico abaixo mostra o número de amarelos de Maxi (nas competições portuguesas) por minutos jogados.




Concluindo, o registo discplinar de Maxi Pereira no Porto praticamente não se alterou em relação ao seu histórico no Benfica. Os portistas que consideravam que Maxi era protegido no Benfica têm aqui um problema. Maxi também é protegido no Porto?

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Benfica e Porto favoritos na liga mais equilibrada da Europa

Fui espreitar qual o grau de favoritismo que as casas de apostas* atribuem aos três grandes na luta pelo título.


Curiosamente, apesar de muitos adeptos considerarem que o Porto, este ano, parte atrás de Benfica e Sporting, não é essa a "opinião" da Betfair. Benfica e Porto surgem com igual nível de favoritismo, com o Sporting como terceiro favorito, ainda que muito perto dos outros dois.
E estas são as odds à terceira jornada, já depois de o Sporting se ter isolado na frente do campeonato. 

Espreitei também os favoritos dos outros principais campeonatos europeus.


Comparando o campeonato português com os restantes, vemos que o nosso é o único em que há três candidatos com praticamente as mesmas hipóteses de serem campeões.

Nos campeonatos alemão, italiano e francês já todos sabem quem vai ser o campeão. Espanha tem apenas dois candidatos, com o Barcelona bem melhor posicionado que o Real; Inglaterra tem vários candidatos, mas o Manchester City é mais favorito a ser campeão, do que qualquer dos grandes em Portugal. Na Holanda, o PSV é claramente favorito, embora Ajax e Feyenoord também sejam candidatos.

Na Bélgica, a incerteza quanto a quem será o campeão é quase tão grande como em Portugal, mas a luta espera-se que seja a dois, entre Anderlecht e Club Brugge. Finalmente, a Turquia é o único campeonato que, à semelhança de Portugal, tem três grandes favoritos. Ainda assim, o equilíbrio entre Benfica, Porto e Sporting é ainda maior do que entre Besiktas, Fenerbahçe e Galatasaray.


E, tendo dito tudo isto, pode sempre aparecer um Leicester por aí...


* Todas as odds aqui referidas são da Betfair "espanhola", de dia 9 de setembro de manhã.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Benfica está mais novo? JJ “envelheceu” o plantel do Sporting?

Os plantéis* dos três grandes têm uma média de idades muito parecidas. O plantel do Benfica é o que tem média mais alta (25,59), praticamente igual à do do Sporting (25,52), que é cerca de seis meses superior à do do Porto (24,93).

Não houve grandes variações em relação à época passada., como se pode ver no gráfico. A média de idades do Porto baixou, enquanto as de Sporting e Benfica subiram. 



Curiosidades

Apesar de Luís Filipe Vieira dizer que o Benfica está mais novo, o plantel envelheceu seis meses (a média passou de 25,04 para 25,52). É verdade que o Benfica só contratou jovens (Carrillo é o mais velho dos recém-chegados), mas também deixou sair jogadores como Renato Sanches, Victor Andrade ou Talisca. Além disso, os jogadores que se mantiveram no plantel estão todos um ano mais velhos em relação ao ano passado, como é óbvio.
O Sporting, apesar de ter contratado jogadores claramente mais velhos que o seu rival de Lisboa, também se “livrou” de alguns jogadores mais veteranos como Aquilani, Barcos ou Teo Gutierrez.

A idade média do plantel do Sporting tem vindo a aumentar todos os anos. Em 2012-13, época em que o Sporting terminou em 7.º lugar, o plantel dos leões tinha uma média de idades dois anos inferior à do plantel do Benfica. De lá para cá, essa diferença foi sendo anulada e, curiosamente, as pontuações também se foram aproximando.

O Porto conseguiu ser campeão em 2012-13, mesmo tendo uma equipa bem mais nova que a do Benfica. A isso não será alheio o facto de, nessa equipa do Porto terem jogado Mangala, Danilo, Alex Sandro e James, que tinham todos 21 anos no início da época.


* Em relação aos plantéis desta época, incluí os jogadores que o transfermarkt.com considerava como fazendo parte do plantel, no dia 1 de setembro de 2016 (excluí apenas Rúben Amorim). Para as épocas anteriores, considerei como fazendo parte do plantel todos os jogadores que atuaram, pelo menos, 90 minutos no campeonato.


Considerei os jogadores que estão no plantel, independentemente de qual seja o clube proprietário do passe. Por exemplo, o passe de Talisca continua a pertencer ao Benfica, mas o jogador já não faz parte do plantel. O passe de Markovic não pertence ao Sporting, mas o sérvio faz parte do plantel.


Considerei sempre a idade que cada jogador tinha no dia 1 de setembro de cada época.