sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A polémica do vídeo-árbitro no golo de Ronaldo

O golo de Ronaldo ontem contribuiu um pouco para a polémica, porque o árbitro inicialmente parecia ter invalidado o lance, mas depois acabou por decidir bem (que é o que interessa!). E tudo isso, dede o golo ao reinício da partida, sabem quanto demorou?

1:35 min.

Comparemos com outros golos recentes:
Golo do Benzema no mesmo jogo: 53 segundos até ao reinício (42 segundos de diferença)
Golo do Vitória frente ao Vilafranquense: 1:02 min até ao reinício (33 segundos de diferença)
Golo de Brahimi ao Marítimo: 1:10 min até ao reinício (25 segundos de diferença)
Golo de André Silva ao Marítimo: 52 segundos até ao reinício (43 segundos de diferença)

Ou seja, toda aquela confusão com o vídeo-árbitro atrasou o jogo apenas 30 ou 40 segundos! Eu acho que vale a pena, para garantir que o golo é legal.
E em circunstâncias normais nem demoraria nada. O tempo dos festejos é mais que suficiente para usar o vídeo-árbitro.
 
Eu cronometrei:
28 segundos depois de Ronaldo marcar: vê-se o árbitro apitar e fazer o sinal da televisão, parecendo assinalar fora de jogo.
19 segundos depois (47 seg depois do golo): o árbitro apita outra vez e aponta o para o centro do terreno, validando o golo.
52 segundos depois (1:35 min depois do golo): está a ser dado o pontapé de saída.



 O vídeo-árbitro está ainda a ser introduzido e, por isso, é natural que tenha ainda aspetos a melhorar. Ainda assim, já ajudou a tomar duas decisões corretas durante este Mundial de Clubes, que é o mais importante.

Os aspetos a melhorar prendem-se com a rapidez da tomada de decisão e com a forma de comunicar a mesma aos jogadores e ao público. Estas falhas são normais num sistema novo. O outro sistema que temos atualmente (sem vídeo-árbitro), está implementado há cem anos, e todas as semanas gera problemas mais graves do que 30 segundos perdidos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ronaldo teve 10 vezes mais votos que Messi - interpretando os pontos da Bola de Ouro I

Cristiano Ronaldo venceu a Bola de Ouro, tendo sido votado como melhor jogador do mundo por 79% dos jornalistas que fazem parte do painel da France Football. (137 jornalistas em 173).
Apenas 7,5% (13 jornalistas dos 173) consideraram Messi como o melhor do mundo.

Ou seja, por cada jornalista a achar que Messi foi o melhor do mundo, houve outros dez (!) a achar que o prémio devia ir para Ronaldo.




Passando rapidamente pelos jornais online e suas capas, não vi nenhum em Portugal ou Espanha que desse esta informação. Todos os anos, ao ver como são anunciadas as escolhas para a Bola de Ouro, sinto que os resultados da votação não são totalmente percebidos ou devidamente analisados.

A Bola, na capa, noticia que Ronaldo teve "mais do dobro de votos de Messi". O Jogo foi um pouco mais rigoroso e diz que Ronaldo ganha "com mais do dobro dos pontos de Messi". Mas o que significa isso?


Cada jornalista indica aqueles que considera terem sido o primeiro, o segundo e o terceiro melhores jogadores do ano, atribuindo-lhes 5, 3 e 1 pontos, respetivamente.

Mas este sistema de pontuações é algo arbitrário. Obviamente, o primeiro classificado deve receber mais pontos do que o segundo e do que o terceiro, mas, a partir de aí, porquê distribuir os pontos em 5-3-1 pontos e não em 3-2-1 ou 10-5-1? Ou, alternativamente, cada jornalista poderia escolher os cinco primeiros e atribuir-lhe 5-4-3-2-1 pontos; ou podiam votar só no primeiro e contabilizar-se o número de votos, em vez do número de pontos. Não há nenhuma razão especial para usar o sistema de 5, 3 e 1 pontos. (como também não há para utilizar os outros sistema de que aqui falo, daí dizer que a escolha é algo arbitrária).

Assim, é difícil interpretar o significado das pontuações finais. O que significa que Ronaldo tenha vencido Messi com mais do dobro dos votos? Imagine que todos os 173 jornalistas tinham votado em Ronaldo para 1.º e Messi para 2.º. Haveria unanimidade na escolha e, por isso, seria uma vitória ainda mais clara do que esta, no entanto, isso não daria a Ronaldo o dobro dos pontos de Messi. Um jogador que seja votado como melhor do mundo por todos os jornalistas, sem exceção, só consegue 56% dos pontos totais atribuídos pelos jornalistas.

Concluindo, além de olhar para os pontos, parece-me fundamental olhar para os votos. Acho estranho que nenhum jornal dê destaque a isso,

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Investimento vs Pontos

O número de pontos conquistados por cada equipa no campeonato está fortemente correlacionado com o investimento que é feito no plantel. Assim, comparei o custo de aquisição de cada plantel (ver detalhes nas notas, no final) com os pontos conquistados por cada uma das equipas das cinco principais ligas europeias: Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França.

Eis o resultado (clique para ampliar):


As equipas que mais se têm destacado pela positiva, ou seja, que têm maior diferença entre os pontos que conquistaram e aqueles que se esperaria que conquistassem, dado o custo do seu plantel são, por ordem:

Leipzig,
Nice,
Colónia,
Frankfurt,
Atalanta,
Hertha,
Liverpool,
Sevilha,
Lazio,
Chelsea,
Hoffenheim,
Arsenal, 
Milan,
Real Sociedad.

Valerá a pena espreitar estas equipas, porque os seus treinadores deverão estar a fazer alguma coisa bem. E, se há casos que não passam despercebidos a ninguém, como o Leipzig, Nice, Liverpool ou Sevilha, há na lista outros a quem não têm tido o destaque que talvez mereçam, como são os casos de Colónia, Frankfurt, Atalanta ou Hertha.

Também há desilusões. Entre as principais equipas europeias, as que estão mais longe daquilo que o seu investimento faria supor são, por ordem:

Wolfsburgo,
Manchester United,
Valencia,
Inter,
PSG,
Monchengladbach.

Aqui são particularmente procupantes os casos de Valencia e Inter, que já o ano passado figuravam nesta lista de equipas que aproveitam mal os milhões investidos. A situação de Mourinho também não é nada abonatória, dado que, depois de aparecer nesta lista com o Chelsea, agora aparece com o Man. Utd.

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*Notas sobre a construção do gráfico:
- Apenas é considerado o dinheiro investido na aquisição de jogadores que estão atualmente no plantel, de acordo com o CIES – Football Observatory. Segundo este critério, Messi, Lewandowski e Ibrahimovic, por exemplo, não exigiram nenhum investimento de Barcelona, Bayern e Manchester United, respetivamente. Assim, o custo de aquisição do plantel não é uma medida perfeita da qualidade do mesmo.

- Os valores que usei estão standardizados. Ao custo de cada plantel subtraí a média do custo dos plantéis do seu campeonato e, depois, dividi pelo desvio padrão. Assim, a cada clube é atribuído um número de forma a que a média de cada campeonato seja zero e o desvio padrão 1. Estes números standardizados podem ser comparados, mesmo entre clubes de países diferentes, o que não aconteceria se comparássemos valores absolutos. É que, por exemplo, o plantel do Burnley custou € 56 M e o do Bordéus custou € 47 M, mas enquanto um é o terceiro mais caro de França, o outro é o mais barato de Inglaterra.

- Estes números standardizados facilitam a leitura da informação. Dado que a média é zero e desvio padrão é um, isso significa que, num clube com um valor acima de 2, por exemplo, o custo do plantel está mais do que dois desvios padrões acima do custo médio dos plantéis do seu campeonato. Se o valor for negativo, significa que o custo de aquisição do plantel foi menor do que a média do seu campeonato.

- Como nem todas as equipas têm o mesmo número de jogos realizados no campeonato, considerei o número de pontos obtidos por jogo, ou seja, o número de pontos obtidos dividido pelo número de jogos.

- O CIES não apresenta informação para os clubes cujo plantel custou menos de € 10 M no total. Nestes casos (que não são muitos) considerei o custo do plantel como sendo de € 10 M.

 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Não há margem de erro na Liga NOS ou Por que 7 pontos não são fáceis de recuperar

Paulo Teixeira, membro do Conselho Superior do FC Porto diz que "sete pontos são fáceis de recuperar".

Não são. O Benfica, em 11 jornadas, perdeu apenas 4 pontos. Extrapolando esses números para 34 jornadas, o Benfica perderia apenas mais oito ou nove pontos até final do campeonato.

Mesmo os cinco pontos que separam Sporting de Benfica não são nada fáceis de superar. E o Sporting pode alimentar mais esperanças porque tem ainda dois confrontos com o líder do campeonato, tendo por isso a possibilidade de recuperar seis pontos, sem depender de outros clubes. O Porto já só tem um jogo frente ao Benfica e é na Luz.

O campeonato português é, atualmente, o campeonato europeu onde os clubes têm menos margem de erro e onde é mais difícil recuperar uma desvantagem pontual.

Por exemplo, a Liga francesa é mais forte do que a portuguesa, no sentido em que o valor médio das equipas é mais alto. Mas, se o PSG jogasse na Liga Portuguesa, não teria sido campeão com 31 pontos de avanço, como foi no ano passado na Ligue 1. É que o Benfica só perdeu 14 pontos no campeonato e o Sporting só perdeu 16. Mesmo que o PSG vencesse todos os 34 jogos, não teria sido campeão tão confortavelmente como foi em França.

Uma forma interessante de olhar para a dificuldade de ser campeão num determinado país é ver o número de pontos perdidos pela equipa que ficou em segundo lugar. Quanto menos pontos perde o 2.º classificado, menos margem de erro tem quem quer ser campeão.


No campeonato português, o nível médio das equipas é mais baixo do que nos principais campeonatos da Europa, mas a margem para errar é mais baixa ainda. Na época passada, o Sporting de Jorge Jesus fez um excelente campeonato, atingindo (com diferença) a melhor pontuação de sempre no Sporting. Ainda assim, não chegou para ser campeão.

Sete pontos não são nada fáceis de recuperar.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Portugal casa vez mais certo no 7.º lugar do ranking UEFA

Mais uma jornada europeia e... a França e a Rússia cada vez mais longe. O 7.º lugar já é praticamente uma certeza para Portugal, dado que, neste momento, estamos a 3,335 pontos da França e 1,534 da Rússia.

Para se ter uma noção da dimensão que estes valores representam, note que nas cinco jornadas europeias até agora, Portugal somou em média 0,633 pontos por jornada.

Mas há alguma esperança de apanharmos a Rússia já na próxima jornada, caso Benfica e Porto se apurem para os oitavos. É que esse apuramento dá um bónus de 5 pontos a cada equipa, e o Rostov e o CSKA já não têm hipóteses de lá chegar.

Convém lembrar que, àparte este bónus de 5 pontos, os restantes bónus por se ir avançando na competição são iguais na Liga dos Campeões e Liga Europa, pelo que, uma boa prestação na Liga Europa poderá dar para compensar o não apuramento na Champions..

Abaixo fica a evolução dos coeficientes esta época: (Clique para ampliar)




Pode consultar a análise feita para a jornada anterior: jornada 4.

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Notas: O coeficiente é dado pela média dos pontos obtidos durante as últimas cinco temporadas.
Atribuição de pontos: 2 pontos por vitória, um por empate (nas pré-eliminatórias e play-off é metade). 4 pontos pela presença na fase de grupos da Champions e 4 por apuramento para os oitavos. Um ponto extra por cada fase que se passa depois (oitavos, quartos, meias, final) quer na Champions, quer na Liga Europa.
Os pontos são divididos pelo total de clubes que cada país apura. Os nossos pontos são a dividir por seis (tal como os de França). Os pontos da Rússia são divididos por 5.
Equipas portuguesas: Benfica, Sporting, Porto, Braga, Arouca (eliminado), Rio Ave (eliminado)
Equipas francesas: PSG, Lyon, Monaco, Nice, Saint-Étienne, Lille (eliminado)
Equipas russas: CSKA, Rostov, Zenit, Krasnodar, Spartak de Moscovo (eliminado)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Rafael Leão, nova pérola de Alcochete? - Vídeo

A semana passada, após o anúncio da sua renovação, fiz um vídeo da exibição de Pedro Marques frente ao Benfica. Ao ver o jogo, acabei por reparar também na excelente exibição de Rafael Leão.



Leão, que jogou na ala direita, mostrou ser forte fisicamente (com 1,86 m), muito bom no um-para-um e com boa capacidade de remate. A tudo isto, junta-se ainda a capacidade de trabalho que demonstrou sem bola, com algumas boas recuperações (por vezes em falta).

Rafael Leão, que fez parte da seleção que venceu o Europeu de sub-17 (embora não fosse titular), tem 17 anos feitos em junho e a sua cláusula de rescisão é de 45 M €. Dado que o seu contrato termina em 2018, é natural que o Sporting tente prolongar esse vínculo brevemente.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Vídeo - Pedro Marques vs Benfica - Todas as intervenções do avançado que renovou com o Sporting

O Sporting anunciou recentemente a renovação de contrato com Pedro Marques até 2023, estabelecendo a cláusula de rescisão em 60 M de euros.

O avançado de 18 anos tem-se destacado na equipa de júniores do Sporting, por isso fiz um vídeo com todos os lances em que interveio (mesmo que não chegando a tocar na bola) na vitória frente ao Benfica, no Seixal, há duas semanas. (Se o vídeo não abrir logo clicando no botão Play, experimente clicar no lado direito do rato e, então, selecionar "Play". Este problema acontece-me com o Firefox. Com o IE funciona normalmente.)


Além da forma excelente como finalizou a única ocasião de golo que teve no jogo, Pedro Marques também mostrou por várias vezes ser capaz de receber de costas para a baliza e entregar num colega e de arrancar com a bola no pé se necessário. Chamou-me também a atenção o seu trabalho sem bola, sempre a pressionar os defesas, conseguindo mesmo recuperar / interceptar várias bolas. Vejam o vídeo e avaliem vocês mesmos.

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4.ª jornada europeia: Rússia mais perto. França mais longe.

Este ano, o mais certo será perdermos o 5.º lugar do ranking da UEFA para a França, mas ainda temos hipóteses de lutar pelo 6.º com a Rússia. Por isso, tenho acompanhado a evolução dos coeficientes UEFA todas as jornadas.

Aqui pode consultar  o que aconteceu nas jornadas anteriores: Jornada 1, Jornada 2 e Jornada 3.

Esta foi uma jornada positiva para Portugal, com as vitórias de Benfica, Porto e Braga. No entanto, o Sporting perdeu e convém lembrar que Arouca e Rio Ave (que já foram eliminados) continuam a penalizar o nosso coeficiente todas as jornadas, porque os pontos são divididos por seis equipas.

Outro problema  para Portugal é que as equipas francesas têm estado bem na Europa. Mesmo com a surpreendente derrota caseira do Nice frente ao Salzburg, França somou mais pontos que Portugal esta semana. Houve sim uma boa aproximação à Rússia. (clique para ampliar)


Eis a situação atual de Portugal, que ocupa o sétimo lugar do ranking:


 

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Notas: O coeficiente é dado pela média dos pontos obtidos durante as últimas cinco temporadas.
Atribuição de pontos: 2 pontos por vitória, um por empate (nas pré-eliminatórias e play-off é metade). 4 pontos pela presença na fase de grupos da Champions e 4 por apuramento para os oitavos. Um ponto extra por cada fase que se passa depois (oitavos, quartos, meias, final) quer na Champions, quer na Liga Europa.
Os pontos são divididos pelo total de clubes que cada país apura. Os nossos pontos são a dividir por seis (tal como os de França). Os pontos da Rússia são divididos por 5.
Equipas portuguesas: Benfica, Sporting, Porto, Braga, Arouca (eliminado), Rio Ave (eliminado)
Equipas francesas: PSG, Lyon, Monaco, Nice, Saint-Étienne, Lille (eliminado)
Equipas russas: CSKA, Rostov, Zenit, Krasnodar, Spartak de Moscovo (eliminado)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Sobre o jornalismo e a internet - entrevista de Dominique Wolton

Dominique Wolton, diretor da revista Hermès e diretor de investigação em ciências da comunicação do Centre National de la Recherche Scientifique (França), deu ontem uma pequena entrevista ao Público em que fala sobre o estado atual do jornalismo e, em particular, da influência que a internet tem tido sobre o mesmo.

Pode ler aqui a entrevista completa. Abaixo deixo excertos que achei interessantes, porque descrevem bem alguns dos problemas que vemos todos os dias no jornalismo desportivo em Portugal, mas que não são exclusivas do nosso país, nem desta área, claro.


A Internet é óptima para nos exprimirmos, mas expressão não é informação. Separar os dois é função do jornalista. Ele deve olhar para a Internet como um novo meio de expressão e ter consciência de que, enquanto canal de informação, exige um trabalho de verificação. A última coisa de que os jornalistas se podem esquecer é que a informação é algo de valioso e difícil, que deve ser feito por profissionais. (...) Ninguém antecipou que o aumento da velocidade e a pressão da concorrência implicavam riscos, e que a informação em directo, que julgávamos mais próxima da verdade, podia afinal errar muito, porque não há tempo para verificar. (...)
Também não se pensou que quanto mais informação existisse, tanto mais rumores teríamos, porque há muita gente que se está nas tintas para a informação verificada e prefere as teorias da conspiração
.

 
Outra surpresa foi a constatação de que todos os canais de informação falam das mesmas coisas ao mesmo tempo e que concorrência não tem servido para alargar o campo da informação.
Uma coisa que me deixa tristíssimo é ver os jornalistas a passarem horas na Internet, a darem a volta ao computador em vez de darem a volta ao mundo, quando fariam muito melhor em sair e investigar. É verdade que sair do jornal três ou quatro dias é caro, fazer bom jornalismo é caro, e essa é uma questão política que teremos de enfrentar, porque a informação está a ser comida por uma ideologia técnica, e é preciso resgatá-la.



E é assim que aparecem casos como o de Guardiola na Luz ou o interesse de clubes ingleses em jogadores do nosso campeonato em que os jornais portugueses citam os ingleses e os ingleses citam os portugueses sem se conseguir perceber bem quem criou o boato.

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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Sporting tem a defesa mais alta da Champions. Barcelona a mais baixa.

A Marca hoje destaca o facto de o Barcelona ter a defesa com a média de alturas mais baixa da Liga dos Campeões (1,78 m). A propósito disso, apresenta as quatro defesas mais baixas e as quatro mais altas. (Clique para ampliar)


Segundo a Marca, as equipas com a defesa mais baixa são Barcelona, Lyon, Ludogorets e Sevilha. As defesas mais altas são as de Nápoles, Rostov, CSKA e Leicester.

A única razão que encontro para que a defesa do Sporting não apareça neste gráfico da Marca é o facto de João Pereira (1,72 m) ter jogado mais tempo que Schelotto (1,87 m) na Champions.

Com a defesa que tem atuado nos últimos jogos, não há dúvida de que o Sporting deveria figurar como equipa mais alta neste gráfico: Zeegelar (1,86), Semedo (1,89*), Coates (1,96), Schelotto (1,87) têm uma média de 1,895 m.


Deixo isto aqui apenas como curiosidade e reforçando o que escrevi noutro dia que, com a altura da sua equipa, talvez fizesse sentido o Sporting ter um plano B que passe por colocar a bola mais depressa na área adversária.


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* Em www.whoscored.com Rúben Semedo "mede" 1,92 m, na wikipédia "mede" 1,89 m. Mesmo usando o valor mais baixo dos dois, o Sporting tem a defesa mais alta.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Sporting é o 4.º clube que mais forma na Europa. Porto é 16.º e Benfica 18.º.

O CIES - Observatory of Football publicou hoje a lista dos clubes que formaram mais jogadores a atuar na Europa neste momento (foram considerados 31 campeonatos).

Nos diversos campeonatos da Europa há, atualmente, 54 jogadores formados no Sporting (8 deles mantêm-se em Alvalade); 41 formados no Porto (4 ainda no Dragão); e 40 formados no Benfica (4 na Luz).

Melhores que Sporting, só mesmo Ajax (72 jogadores), Partizan (61) e Dinamo Zagreb (55).

É interessante também olhar para o número de jogadores da formação que jogam atualmente nas cinco ligas mais importantes da Europa (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França). Aí, o Sporting é o único clube português a conseguir entrar para o top-50 (e por pouco!).



Nota: O CIES considera como tendo sido formados num clube apenas jogadores que lá estiveram três épocas entre os 15 e os 21 anos.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Sporting: altura para um plano B?

O Sporting, desde a chegada de Jorge Jesus, cresceu vários centímetros e, no jogo de sábado, alinhou com uma equipa particularmente alta. No onze inicial, o Sporting tinha 9 jogadores acima dos 1,85 m. As únicas exceções eram Elias (1,73 m) e Gelson (1,74 m). A média de alturas dos leões era de 1,87 m, contra 1,79 m do Tondela, onde apenas os centrais superavam o 1,85 m.

Com o decorrer do jogo, as entradas de Bruno César (1,77) e Castaignos (1,88) por Elias e André deram ainda mais altura à equipa, que depois baixou um pouco com a saída de Zeegelar para a entrada de Campbell (1,78 m).

Assim, num dia de clara desinspiração leonina e em que o Sporting não incomodava demasiado o Tondela através da sua forma habitual de jogar, talvez se justificasse recorrer a um plano alternativo que passasse por colocar a bola na área de forma mais rápida.

Não sou a favor de despejar bolas só porque sim. No Barcelona, com Iniesta, Messi, Neymar, Suárez, despejar bolas para a área nunca fará sentido, mas no Sporting pode fazer. Colocar  Bas Dost (1,96), Coates (1,96), Castaignos (1,88 m) e Bryan (1,88) nas imediações da área contrária a serem servidos por Gelson, Campbell e William, com Bruno César para um eventual remate de ressaca, causaria muitos problemas ao "baixinho" Tondela, seguramente.



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Nota: Alturas retiradas de www.whoscored.com

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Mais uma jornada europeia e a França cada vez mais longe

Portugal tem, nos últimos anos, ocupado a quinta posição no ranking de clubes da UEFA, o que nos permite ter dois clubes com entrada direta na fase de grupos da Liga dos Campeões e outra com acesso ao play-off.

Este ano, no entanto, é muito possível que sejamos ultrapassados por França e Rússia. Aliás, dado que a época 2011-12 já deixou de contar para o ranking (contam as últimas cinco), já iniciámos a época em sétimo lugar.

Por isso, é importante acompanhar os resultados não só das equipas nacionais, mas também das francesas e russas, tal como já tinha feito para a primeira e segunda jornadas. (Clique para ampliar)


Interessante e, muitas vezes, pouco claro é ver a forma como os resultados desportivos se refletem no coeficiente de cada país, como se pode ver abaixo.




Esta jornada até nem foi má para Portugal, com 2 vitórias e um empate, permitindo uma (pequena) aproximação à Rússia, mas, mesmo assim, França conseguiu distanciar-se ainda mais, com três vitórias e um empate.

Se é daqueles que não consegue torcer por um rival nem sequer nas competições europeias, pode, pelo menos, torcer contra as equipas francesas e russas.

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Notas: O coeficiente é dado pela média dos pontos obtidos durante as últimas cinco temporadas.
Atribuição de pontos: 2 pontos por vitória, um por empate (nas pré-eliminatórias e play-off é metade). 4 pontos pela presença na fase de grupos da Champions e 4 por apuramento para os oitavos. Um ponto extra por cada fase que se passa depois (oitavos, quartos, meias, final) quer na Champions, quer na Liga Europa.
Os pontos são divididos pelo total de clubes que cada país apura. Os nossos pontos são a dividir por seis (tal como os de França). Os pontos da Rússia são divididos por 5.
Equipas portuguesas: Benfica, Sporting, Porto, Braga, Arouca (eliminado), Rio Ave (eliminado)
Equipas francesas: PSG, Lyon, Monaco, Nice, Saint-Étienne, Lille (eliminado)
Equipas russas: CSKA, Rostov, Zenit, Krasnodar, Spartak de Moscovo (eliminado)

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Correria em Kiev (e nos outros campos da Champions)

Nas duas primeiras jornadas da Liga dos Campeões, o Sporting foi a equipa portuguesa que percorreu uma maior distância, com alguma diferença para Benfica e, sobretudo, Porto.

Talvez esse facto não esteja totalmente dissociado das duas escorregadelas dos leões no campeonato (frente a Rio Ave e Vitória) imediatamente após os confrontos europeus.

No entanto, nesta jornada da Liga dos Campeões, algo de estranho aconteceu. O Sporting correu  menos do que nas anteriores jornadas, mas a diferença não é muito significativa. A grande surpresa é a distância percorrida por Benfica e Dínamo de Kiev.

Até ontem, o recorde de distância percorrida numa partida desta fase de grupos da Champions pertencia ao Tottenham, com 118,873 km. Ontem, talvez motivados pelo frio, tanto Benfica como Dinamo, bateram esse recorde. Os encarnados percorreram 119,257 km e os ucranianos somaram 119,520 km.

Para já, a correria valeu três pontos e um passo importante para a qualificação do Benfica. Veremos se terá custos no próximo jogo do campeonato. (clique para ampliar)





Dados retirados do site da UEFA.


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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Proporção de minutos jogados por portugueses nos três grandes desde 2012-13.

A propósito de um estudo publicado pelo CIES - Observatório de Futebol sobre os minutos de utilização de jogadores nacionais nas principais ligas da Europa, fiz a mesma análise para os três grandes portugueses, há uns dias.

Agora, fui verificar como tem sido a evolução da percentagem de minutos jogados por portugueses nos três grandes, ao longo das últimas épocas.




O Sporting tem sido, com alguma diferença, o clube que utiliza mais portugueses e é curioso verificar que a época em que utilizou mais jogadores estrangeiros nos últimos anos foi também a pior época do clube em termos de resultados (2012-13).

Com a chegada de Jorge Jesus, a proporção de minutos dados a portugueses no campeonato reduziu-se um pouco comparando com a época de Marco Silva (2014-15), mas ficando acima da época de Leonardo Jardim, por exemplo.

Do outro lado da segunda circular, desde a entrada de Rui Vitória, o Benfica passou a utilizar mais portugueses no campeonato do que utilizava com JJ.

Eis os jogadores portugueses que completaram mais de 1000 minutos nos anteriores campeonatos:

Sporting

2012-13: Patrício (2700), Miguel Lopes (1184), Adrien (1159), Cédric (1157) e Joãozinho (1151).
2013-14: Patrício (2700), William (2533), Cédric (2520), Adrien (2458), A. Martins (1943) e Wilson Eduardo (1034).
2014-15: Patrício (2970), William (2443), P. Oliveira (2346), Nani (2291), Adrien (2266), João Mário (2111), Cédric (2029) e Mané (1346)
2015-16: Patrício (2999), João Mário (2715), Adrien (2328), William (2137), P. Oliveira (1565), J. Pereira (1508), Semedo (1208) e Gelson (1202)

Benfica

2012-13: -
2013-14: -
2014-15: Eliseu (2286), Pizzi (1289) e André Almeida (1200).
2015-16: Eliseu (2665), Pizzi (2283), A. Almeida (2266) e Renato (1905).

Porto

2012-13: Moutinho (2383) e Varela (1642).
2013-14: Varela (1836), Josué (1223) e Licá (1091).
2014-15: Quaresma (1828) e Rúben Neves (1199).
2015-16: Danilo (2505), André André (1879) e Rúben Neves (1190)


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Nota: todos os dados foram retirados de www.transfermarkt.com e incluem apenas jogos da primeira liga.