quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Defesas portugueses em melhor forma: Rúben Semedo, Neto e Ricardo melhores que Fonte, Alves e Cancelo.

O sítio www.whoscored.com regista uma enorme série de dados estatísticos relativos relativos à performance de cada jogador e, com base nisso, atribui uma nota à exibição de cada atleta por jogo.

O exercício que faço neste post e que amanhã farei também para os médios e avançados da seleção é, simplesmente, ver quais são os jogadores portugueses que estão a ter melhor desempenho esta época nos seus clubes de acordo com a avaliação do Whoscored.

Utilizando essas avaliações como único critério para fazer a convocatória, as escolhas para a defesa portuguesa deveriam ser:

  • Guarda Redes: Ricardo Nunes (Chaves), Bruno Varela (Vit. Setúbal) e Anthony Lopes (Lyon). [Sairiam Marafona e Patrício]
  • Centrais: Pepe (Real Madrid), Rúben Semedo (Sporting) e Luís Neto (Zenit). [Sairiam Bruno Alves e José Fonte].
  • Laterais Esq.: Raphael Guerreiro (Borussia) e Nuno Pinto (Vit. Setúbal). [Sairia Antunes]
  • Laterais Dir.: Ricardo Pereira (Nice) e Miguel Lopes (Akhisar). [Sairiam Nélson Semedo e Cancelo]

Mas claro que a chamada à seleção não se baseia apenas no desempenho dos últimos dois meses. por exemplo, mesmo que Cristiano Ronaldo atravesse uma fase péssima de forma, deve continuar sempre a ser convocado. Por isso, analisemos com mais cuidado cada posição.

Análise aos Guarda-Redes:

Guarda-redes seleção Portugal

Os guarda-redes são os que mais sofrem com o facto de se analisar uma pequena amostra de jogos. Patrício não tem tido culpa nos golos sofridos, mas o facto é que tem sofrido vários e não tem feito muitas defesas, daí os seus números serem maus nesta altura. Ainda assim, não faria sentido tirar Patrício da baliza da seleção. Chamar Ricardo Nunes também não faria muito sentido pela sua idade (34) e Bruno Varela provavelmente faz mais falta na seleção sub-21 (para onde foi convocado) do que como terceiro guarda-redes da seleção principal. Assim, concordo com as opções de Fernando Santos.

Análise aos Laterais Esquerdos:

Laterais Esquerdos seleção Portugal

Raphael Guerreiro é claramente o lateral esquerdo português em melhor forma (mesmo que, por vezes, esteja a jogar mais à frente no Borussia). Sobre Antunes, os dados do WhoScored não são fiáveis, porque não incluem informação sobre a liga ucraniana, apenas sobre os dois jogos que o Din. Kiev fez na Liga Europa. Outros laterais esquerdos portugueses que têm estado bem são Nuno Pinto (Vit. Setúbal), Nuno Sequeira (Nacional) e Tiago Pinto (Osmanlispor). [Sim, este Tiago Pinto é esse em que estão a pensar. Filho de João Pinto, que fez a formação no Sporting e passou também por Braga e Rio Ave]

Análise aos Laterais Direitos:

Laterais Direitos seleção Portugal

Ricardo Pereira é dos jogadores mais injustiçados nesta convocatória. É, de todos os jogadores da Liga Francesa, o que merece melhor avaliação do Who Scored. Titular no surpreendente Nice que lidera o campeonato nesta altura. Deveria ter sido convocado em vez de João Cancelo. Miguel Lopes tem estado bem na Turquia, tal como João Pereira e Pedrinho, em Portugal. Qualquer destes três, tal como Nélson Semedo, tem estado melhor que Cancelo esta época.

Análise aos Centrais:


Centrais seleção Portugal
O centro da defesa é onde discordo mais das opções de Fernando Santos. Bruno Alves (34) e José Fonte (32) não vão para novos e já têm um desempenho abaixo de vários outros centrais portugueses. No seu lugar entrariam Rúben Semedo e Luís Neto, mais novos e melhores. Aliás, não foi difícil encontrar centrais portugueses que tenham estado melhor que Alves e Fonte neste início de época: Nuno Henrique, Frederico Venâncio, André Pinto e Pedro Mendes [Sim, esse mesmo, o que saiu do Sporting a custo zero para assinar pelo Parma].


Nota: Para esta análise, tive em consideração apenas os jogadores portugueses que atuam nas primeiras divisões de Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Turquia e Rússia.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Investimento vs Pontos - Maiores surpresas e desilusões na Europa

O CIES - Football Observatory publicou ontem o custo de aquisição de cada um dos plantéis das cinco principais ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França), ou seja, o valor total investido nas transferências de jogadores que fazem parte do plantel atualmente.

Já se sabe que no futebol (e não só) o dinheiro manda muito, por isso, é natural que o valor do investimento em transferências (ainda que tenha algumas limitações) esteja muito correlacionado com o número de pontos conquistados no campeonato. Foi isso mesmo que fui confirmar. (Clique para ampliar)

Investimento vs Pontos conquistados


Como seria de esperar, há uma correlação muito positiva entre o custo de cada plantel e o número de pontos conquistados no campeonato. 32% da variação nos pontos é explicada pela variação nos valores das transferências. E é natural que, à medida que as jornadas vão passando, esta correlação vá aumentando.

Para já, entre as principais equipas europeias, as que estão mais longe do que o seu investimento faria supor são, por esta ordem: Schalke, PSG, Valencia, Wolfsburg, Inter, Man. Utd., Real Madrid e Barcelona.

Pela positiva, destacam-se: Nice, Hertha, Tottenham, Colónia, Chievo, Liverpool, Génova, Everton, Leipzig, Arsenal, Sevilha, Atlético, Frankfurt, Monaco e Man City.


Seria  interessante ter também estes valores para o campeonato português. Nessa análise, provavelmente o Sporting saíria beneficiado porque, apesar de a nível salarial já estar em valores próximos de Benfica e Porto, o seu plantel custou bastante menos, até porque alguns dos seus principais jogadores mais valiosos, como Patrício, William e Adrien vieram da formação.


Vou continuar a atualizar o gráfico ao longo da época para ver como evolui.

Estou também no Facebook e Twitter.


 
*Notas sobre a construção do gráfico:

- Apenas é considerado o dinheiro investido na aquisição de jogadores que estão atualmente no plantel. Segundo este critério, Messi, Lewandowski e Ibrahimovic, por exemplo, não exigiram nenhum investimento de Barcelona, Bayern e Manchester United, respetivamente. Assim, o custo de aquisição do plantel não é uma medida perfeita da qualidade do mesmo.

- Os valores que usei estão standardizados. Ao custo de cada plantel subtraí a média do custo dos plantéis do seu campeonato e, depois, dividi pelo desvio padrão. Assim, a cada clube é atribuído um número de forma a que a média de cada campeonato seja zero e o desvio padrão 1. Estes números standardizados podem ser comparados, mesmo entre clubes de países diferentes, o que não aconteceria se comparássemos valores absolutos. É que, por exemplo, o plantel do Burnley custou € 56 M e o do Bordéus custou € 47 M, mas enquanto um é o terceiro mais caro de França, o outro é o mais barato de Inglaterra.

- Estes números standardizados facilitam a leitura da informação. Dado que a média é zero e desvio padrão é um, isso significa que, num clube com um valor acima de 2, por exemplo, o custo do plantel está mais do que dois desvios padrões acima do custo médio dos plantéis do seu campeonato. Se o valor for negativo, significa que o custo de aquisição do plantel foi menor do que a média do seu campeonato.

- Como nem todas as equipas têm o mesmo número de jogos realizados no campeonato, considerei o número de pontos obtidos por jogo, ou seja, o número de pontos obtidos dividido pelo número de jogos.

- O CIES não apresenta informação para os clubes cujo plantel custou menos de € 10 M no total. Nestes casos (que não são muitos) considerei o custo do plantel como sendo de € 10 M.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Marega e o aumento dos empréstimos em Portugal

Moussa Marega está a ser uma das principais figuras do campeonato. É o melhor marcador da Liga, com sete golos e ainda soma duas assistências, tendo, assim, participação direta em 75% dos golos do Vitória. Marega contribuiu decisivamente para todos os pontos que a equipa somou no campeonato. Marcou e assistiu na vitória por 2-0 ao Marítimo; na vitória frente ao Paços de Ferreira marcou dois e assistiu outro; marcou o único golo da sua equipa frente a Belenenses (1-1) e Moreirense (0-1) e, no sábado, contribuiu para o empate frente ao Sporting, com dois golos.

Pelo meio, o Porto venceu facilmente (3-0) o Vitória, que não pôde utilizar Marega por estar emprestado pelos dragões. Tudo isto, ao contrário do que se passava há uns anos, é legal. A regra que entrou em vigor no início da época passada permite isto mesmo e o Porto faz bem em aproveitá-la. Aliás, Benfica e Sporting fazem o mesmo, como é natural.

Comparei o número de emprestados que os grandes tinham espalhados pela primeira liga hoje com os que havia antes da mudança das regras. No início da época 2014-15, o Porto tinha cinco emprestados na Liga NOS (Quiñones, Kléber, Tozé, Sami e Sérgio Oliveira), o Benfica tinha um (Bruno Gaspar) e o Sporting não tinha nenhum. Hoje, o Porto tem 13 emprestados na primeira liga, o Benfica tem 7 e o Sporting tem 10. (clique para ampliar)

Emprestados de Benfica, Porto e Sporting na Liga Nos



O Porto tem jogadores em 7 clubes diferentes, o Benfica em 5 e o Sporting em 6. Estes números poderão vir a aumentar ainda mais nas próximas épocas, dado que, como se vê pelo caso Marega, esta é uma estratégia que pode dar resultados. É importante também lembrar que qualquer um dos três grandes tem ainda mais 15 ou 20 jogadores emprestados noutras ligas.

Dito isto, claro que ter jogadores emprestados a um clube não é garantia de nada. O Sporting, por exemplo, perdeu frente ao Rio Ave, apesar de a equipa de Vila do Conde ter sido impedida de utilizar Héldon. Mas claro que não é o mesmo defrontar o Rio Ave com ou sem Héldon ou defrontar o Vitória SC com ou sem Marega.
Nota: Todos os dados retirados de transfermarkt.com


P.S. Estou também no Facebook e Twitter.

sábado, 1 de outubro de 2016

Formação e prospeção: os Golden Boys e os grandes portugueses

Foi, esta semana, divulgada a lista de 40 nomeados para o Golden Boy, o prémio equivalente à Bola de Ouro, mas para jogadores abaixo dos 21 anos.

Este ano, há quatro nomeados com ligação ao campeonato português: Gonçalo Guedes, Danilo Barbosa, Rúben Neves e Renato Sanches.

Por curiosidade, fiz o levantamento de todos os nomeados desde 2008. Olhando a lista de jogadores que foram nomeados enquanto jogavam em Portugal ou que o foram já depois de sair da nossa liga, percebe-se o que tem sido um dos grandes méritos de Benfica e Porto e uma falha do Sporting: a prospeção.

Nos últimos anos, o Benfica contratou 8 jogadores que, depois, receberam a nomeação para Golden Boy, enquanto o Porto contratou 7. O Sporting não contratou nenhum. (Nestas contas estou a incluir Óliver e Danilo Barbosa que chegaram apenas por empréstimo. E Danilo já tinha sido nomeado também em 2015, portanto nem é o melhor exemplo da excelente prospeção do Benfica).

Quanto à formação, Sporting e Benfica viram três dos produtos das suas escolas serem nomeados, enquanto no Porto apenas Rúben Neves foi nomeado.
 

Do quadro, há várias conclusões a tirar:
  • A prospeção tem sido um dos pontos fortes do Benfica e que tem rendido muito ao clube em termos desportivos e financeiros. Além dos que foram nomeados, exemplos da boa prospeção do Benfica são também Oblak, Lindelof ou Nélson Semedo.
  • Dier, Ilori e Bruma foram todos nomeados já depois de saírem do clube, o que mostra bem como o Sporting não tem sabido rentabilizar da melhor forma os jovens da formação. O caso mais evidente será o de CR7. Isso parece estar a mudar agora, como se viu no caso de João Mário ou de William que se mantém no clube.
  • Ser nomeado é sempre um bom indicador, mas não é garantia de nada. Os clubes portugueses não conseguiram retirar aquilo que se esperava de jogadores como Rodrigo Possebon, Sidnei, Nélson Oliveira, Atsu, Ola John, Quintero ou Iturbe. Por outro lado, jogadores como André Gomes, Bernardo Silva, João Mário ou William Carvalho não mereceram qualquer nomeação enquanto jovens promessas e hoje já são certezas do futebol português. Um caso curioso é o de Lewandowski. Em 2008, quando tinha 20 anos e jogava no Lech Poznan, não foi nomeado, apesar de entre os nomeados estarem avançados como Franco di Santo (Schalke), Bendtner (Nottingham Forest) e Levan Mchedlidez (Empoli)...

P.S. - Estou também no Facebook e Twitter.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Péssima jornada europeia para Portugal - tudo sobre os coeficientes da UEFA

Toda a gente sabe que as vitórias dos clubes portugueses na Europa contribuem para o coeficiente do nosso país que, por sua vez, determina quantas equipas podemos colocar na Liga dos Campeões e Liga Europa.

No entanto, nem sempre é fácil perceber o impacto imediato de cada resultado no dito coeficiente. É isso que este post tenta demonstrar. Também já tinha feito a mesma análise para a primeira jornada europeia

Até ao ano passado, estivemos em quinto lugar do ranking, mas, neste momento, estamos em sétimo, tendo sido ultrapassados por França e Rússia. Esses são os nossos adversários diretos e com os quais temos de nos preocupar.

Eis os resultados que conseguiram esta semana: (clique para ampliar)

Resultados de Portugal, França e Rússia na Europa

E, abaixo, deixo a evolução do coeficiente, que demonstra a forma como perdemos terreno quer para franceses quer para russos, nestas duas jornadas.

Evolução do coeficiente UEFA esta época
Como se pode ver, Portugal começou a época um pouco abaixo da França e praticamente em igualdade com a Rússia. No entanto, perdemos terreno nestas duas jornadas e corremos sérios riscos de terminar a época no sétimo posto.

Conclusão: Se é daquelas pessoas que tem dificuldade em torcer pelos outros clubes portugueses na Europa. Pelo menos torça contra franceses e russos!


P.S. - Estou também no Facebook e Twitter.

Notas: O coeficiente é dado pela média dos pontos obtidos durante as últimas cinco temporadas.
Atribuição de pontos: 2 pontos por vitória, um por empate (nas pré-eliminatórias e play-off é metade). 4 pontos pela presença na fase de grupos da Champions e 4 por apuramento para os oitavos. Um ponto extra por cada fase que se passa depois (oitavos, quartos, meias, final) quer na Champions, quer na Liga Europa.
Os pontos são divididos pelo total de clubes que cada país apura. Os nossos pontos são a dividir por seis (tal como os de França). Os pontos da Rússia são divididos por 5.
Equipas portuguesas: Benfica, Sporting, Porto, Braga, Arouca (eliminado), Rio Ave (eliminado)
Equipas francesas: PSG, Lyon, Monaco, Nice, Saint-Étienne, Lille (eliminado)
Equipas russas: CSKA, Rostov, Zenit, Krasnodar, Spartak de Moscovo (eliminado)

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O Sporting e a sua (estranha) gestão de esforço

Foi ontem evidente que, na segunda parte, o Sporting baixou o ritmo de jogo a pensar na gestão de esforço para o próximo jogo.

Pressionou menos, deixou o adversário equilibrar a posse de bola e ainda apanhou uns sustos. Consultei os dados estatísticos do jogo para ver se se confirmavam estas ideias. Na generalidade, sim.  

Gestão do esforço frente ao Legia


Na segunda parte:
- O Sporting teve menos posse de bola : passou de 59% para 52%.
- Rematou muito menos: 11 remates na primeira parte, 4 na segunda.
- Pressionou menos, permitindo que o adversário melhorasse muito o acerto nos seus passes:  na primeira parte, o Legia acertou 75% dos passes, na segunda acertou 88%.

Mas há um dado surpreendente: o Sporting correu mais no segundo tempo do que no primeiro. Na primeira parte, correu 54,5 km e, na segunda, correu 58,1 km, o que é uma diferença considerável (7%).

A distância percorrida está longe de ser um indicador perfeito do esforço despendido. Na segunda parte, o Sporting correu mais, mas a um ritmo mais baixo e, portanto, com menos esforço. Mas, ainda assim, os números surpreenderam-me. Ao tentar gerir o esforço, o Sporting correu mais e, mesmo assim, não se pode dizer que tenha controlado perfeitamente a partida, porque podia ter sofrido um golo.

Para tentar perceber se estes números são normais, fui ver o que aconteceu noutros jogos em que o favorito tinha o resultado controlado ao intervalo.


Gestão do esforço: Juventus, Borussia, City

A Juventus, ontem, tal como o Sporting, vencia por 2-0 ao intervalo (em casa do Din. Zagreb). Os italianos também permitiram que o seu adversário melhorasse muito o acerto nos passes na segunda parte (de 77% para 86%), no entanto, subiram a percentagem de posse de bola (de 64% para 67%) e correram bastante menos. (52 km em vez de 55,9 km). É importante notar também que a Juve fez o 0-3 aos 57 minutos, o que deverá ter retirado qualquer esperança ao Zagreb.

Verifiquei também o Legia 0-6 Borussia Dortmund, da jornada passada. Aos 17 minutos, os alemães já venciam por 0-3 e, como esperado, tiveram de correr menos na segunda parte (51 km, em vez de 54,1 km).

Procurei outro jogo em que o resultado em intervalo fosse 2-0, mas que se mantivesse assim durante mais tempo, para ser mais comparável com o jogo do Sporting de ontem. O Manchester City, na jornada passada, vencia o Monchengladbach por 2-0 desde os 28 minutos e só chegou ao terceiro golo aos 77'. Também os ingleses conseguiram poupar-se na segunda parte: 58,9 km percorridos na primeira parte, 57 km na segunda.

Conclusão

Parece-me que o Sporting tem de aprender a gerir melhor o resultado. Talvez a opção deva passar por fazer essa gestão através da posse de bola, em vez de recuar e deixar que o adversário tenha mais iniciativa. É que, ontem, o Sporting não conseguiu ter o jogo totalmente controlado, nem conseguiu gerir o esforço tão bem como desejaria.

A atitude do adversário poderá também ajudar a explicar o que se passou. O Legia tinha um treinador novo e, por isso, os seus jogadores estariam, naturalmente, mais motivados, nunca tendo desistido do jogo. É que não foi só o Sporting que correu mais na segunda parte, claro. O Legia também correu mais e fez o dobro das faltas (5 na primeira, 11 na segunda), o que poderá ser um indicador de aumento de competitividade.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Golos de Bas Dost e de Slimani

Bas Dost teve um início fulgurante no Sporting, com quatro golos em quatro jogos. O holandês já marcou dois golos de cabeça e dois de pé direito e, para já, vai fazendo esquecer Slimani. Que mais se pode esperar de Bas Dost?

Recolhi informação sobre todos os golos marcados por Bas Dost e Slimani nas últimas épocas. Considerei as últimas quatro épocas do holandês, desde que se mudou para Alemanha, e as últimas três do argelino, que foram as que esteve no Sporting.

Golos de Slimani e de Bas Dost


Apesar da sua altura, Bas Dost marca muito mais golos de pé direito do que de cabeça. Ainda assim, marcar 23% dos golos pelo ar é um registo bastante bom e que, em Portugal, é provável que seja melhorado. No entanto, Slimani tem números impressionantes nesse aspeto. Deve haver muito poucos pontas-de-lança na Europa que tenham feito 24 golos de cabeça só nos últimos três anos.

De notar também que Slimani fez vários golos de pé esquerdo, enquanto Bas Dost parece estar muito mais dependente do seu pé direito.

Quanto à zona do campo onde são mais perigosos, aí não há dúvida de que se tratam de dois pontas-de-lança de área. Dos 57 golos de Slimani, apenas três surgiram de remates fora da área (um deles ao Braga, na final da Taça), enquanto Bas Dost apenas marcou um golo for da área nos últimos três anos, que foi... na última sexta-feira, frente ao Estoril!

Assim, este ano o Sporting continua a ter um avançado muito forte dentro da área, sendo de esperar menos golos de cabeça e mais com o pé direito. Vamos ver se se confirma.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Zlatan Ibrahimovic - o início

O programa Fiebre Maldini recuperou esta semana uma reportagem sobre o início de carreira de Zlatan Ibrahimovic. Vale a pena ver.

Zlatan chegou ao Inter com 22 anos e, a partir daí, não passou despercebido a ninguém, mas é interessante conhecer a história antes disso. Aos 19 anos, Ibra andava pela segunda divisão sueca, mas já era o mesmo tipo que vemos agora, com enorme confiança em si próprio, provocador e com um sentido de humor desconcertante. Deixo aqui alguns momentos da reportagem.


Infelizmente, já não poderemos ver Ibra durante muitos mais anos no relvado. De qualquer forma, as histórias e mitos à sua volta ficarão sempre. Já ouviu, com certeza, algumas anedotas sobre Zlatan (também muitas vezes contadas em relação a Chuck Norris). Diz-se, por exemplo, que:

- Quando Alexander Bell inventou o telefone, já tinha três chamadas não atendidas de Zlatan.
- O pai de Zlatan chama-se Zlatan Junior.
- Uma vez, Zlatan fez o teste do polígrafo. A máquina confessou tudo.

Aqui deixo-lhe mais uma do mesmo género, mas que é verdadeira. Um dia, Zlatan estava no banco e a sua equipa perdia por 3-0. Zlatan entrou e...


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Com Jesus tem de se escolher entre Europa e Campeonato?

A derrota do Sporting frente ao Rio Ave fez com que muita gente lembrasse a fama que Jorge Jesus tem de não saber gerir bem as competições europeias com as nacionais e de que, com ele, tem de se escolher: ou campeonato, ou Europa.

O certo é que, logo após a primeira jornada da Liga dos Campeões, o Sporting caiu com estrondo em Vila do Conde e, na época passada, a seguir a receber o CSKA, também tinha escorregado, frente ao Paços de Ferreira, em Alvalade. Estes resultados parecem revelar alguma dificuldade de Jesus em gerir a equipa após os grandes confrontos europeus. Será mesmo assim?

Para responder à questão, fui ver o que acontecia ao Benfica de Jesus após jogos da Liga dos Campeões. Considerei apenas jogos da fase de grupos porque são mais fáceis de comparar de ano para ano em termos de dificuldade e de calendário.

Com o Benfica, Jesus participou cinco vezes na Liga dos Campeões, ou seja, fez 30 jogos na fase de grupos da competição. Nos 30 jogo imediatamente a seguir (tenha sido para o campeonato ou Taça), Jesus venceu 26 vezes, empatou duas e perdeu outras duas. As duas derrotas foram frente a Porto e Braga e os empates foram com  Braga e Académica, sempre fora de casa. Apenas o empate frente à Académica é um resultado inesperado. Perder no Dragão e perder ou empatar na Pedreira são resultados que estão dentro da normalidade, mesmo que não fossem após um jogo europeu. Assim, não parece que Jesus tenha particular dificuldade nos jogos imediatamente a seguir à Champions.

Aliás, nestes 30 jogos para competições nacionais, a média de pontos de Jesus foi de 2,66 (80 pontos em 30 jogos), melhor do que a média que o seu Benfica fez em qualquer um dos campeonatos, portanto, o Benfica de Jesus até fazia melhores resultados depois das noites europeias do que nos restantes jogos.

Deixo, abaixo, a tabela com todos os resultados de Jorge Jesus na fase de grupos da Liga dos Campeões. (Clique na imagem para ampliar)

Resultados de Jorge Jesus no Benfica a seguir a jogos da Liga dos Campeões

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Compras e Vendas: quem mais recebeu e quem mais gastou

O CIES - Football Observatory publicou hoje a lista dos clubes que mais dinheiro receberam de transferências*, desde 2010, e, sem surpresa, os clubes portugueses aparecem muito bem posicionados.

Benfica e Porto ocupam o 4.º e 5.º lugares, respetivamente, entre as equipas que mais faturaram., enquanto o Sporting surge em 33.º lugar. Fora das cinco principais ligas (Espannha, Alemanha, Inglaterra, Itália e França), Benfica e Porto são líderes destacadíssimos em vendas, e o Sporting surge em 4.º lugar, atrás do Ajax. (Clique na imagem para ampliar)


 Juntando esta lista à da semana passada, que mostrava os 20 maiores gastadores desde 2010, é possível ver quais são os clubes que têm um saldo mais negativo entre compras e vendas.


Curiosidades
 
Os piores gastadores
Destaque pela negativa para Milan e Inter que, mesmo com todo o dinheiro que investiram, têm uma equipa bastante menos competitiva do que em 2010.
Liverpool e Arsenal também não mostram grandes melhorias, mas aí é preciso lembrar que têm na sua liga três dos maiores gastadores: Man. City, Man. United e Chelsea, portanto, mesmo que Liverpool e Arsenal tenham melhorado desde 2010, os rivais terão obrigação de ter melhorado mais ainda.


Barcelona e Real Madrid
Barcelona tem um saldo bastante mais negativo do que o do Real Madrid, o que contraria a ideia que temos dos dois clubes. O Barça é visto como um clube que aproveita muito melhor a sua formação, enquanto o Real é o clube das contratações galáticas. Pelos vistos, isso inverteu-se desde 2010 (e, pelo meio, o Barcelona esteve uma época proibido de inscrever jogadores!).


Nota: os valores de vendas incluem apenas vendas para as cinco principais ligas europeias (Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália e França). As transferências para outras países não costumam ser muito significativas, pelo que, o quadro apresenta uma boa aproximação da realidade.

Rotações e resultados pós-Champions

Porto e Sporting perderam pontos ontem, facto a que não será alheio o desgaste causado pelos jogos de quarta-feira para a Liga dos Campeões. Como era de esperar, ambos os treinadores rodaram jogadores e é nisso que me foco hoje.

No post de ontem, sobre quem mais correu na Liga dos Campeões, tinha referido Bas Dost e Bryan Ruiz, no Sporting, e Óliver e Danilo, no Porto, como os jogadores que mais correram. Não terá sido coincidência o facto de estes quatro jogadores terem sido poupados ontem. Além destes, Jesus fez também descansar Zeegelar e João Pereira, e Nuno deixou no banco Marcano, Herrera e Corona. Serão mudanças a mais?

Para responder à questão, fui ver o que fizeram as outras equipas da Champions. Registei as alterações feitas no onze inicial das equipas dos cinco principais campeonatos europeus (Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália e França). Considerei as alterações que foram feitas no onze inicial, mesmo que tenham sido forçadas por castigo ou lesão.


O mais comum foi fazer três ou quatro rotações. Houve também quem fizesse apenas uma (Leicester e Lyon) e o caso mais extremo foi o do Sevilha, que mudou oito jogadores. Assim, as alterações de Sporting (4) e Porto (5) parecem estar dentro do normal. Há, no entanto, que ter em conta uma diferença importante entre Portugal e os outros países que estou a considerar. Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália e França terão jogos a meio desta semana, o que acentua a necessidade de gerir o esforço dos jogadores. Em Portugal, só se volta a jogar no próximo fim de semana.

Ao contrário do que aconteceu com Sporting e Porto, a maior parte das equipas da Champions conseguiu bons resultados. Das 17 equipas que apresento no quadro, quase todas (13) venceram este fim de semana. Dessas, muitas até venceram por três golos ou mais. Foram os casos de Dortmund, PSG, Atlético, Barcelona, Man. City, Arsenal, M’gladbach, Monaco e Leicester. As únicas equipas da Champions que perderam nesta jornada dos principais campeonatos foram Juventus e Leverkusen, enquanto Lyon e Sevilha empataram os seus jogos.


domingo, 18 de setembro de 2016

Quem mais correu na Liga dos Campeões?

Depois da primeira jornada da Liga dos Campeões, Porto e Sporting entram hoje em ação, enquanto o Benfica recebe amanhã o Braga. Estas são sempre jornadas de risco para os grandes, devido ao desgaste acumulado nos jogos a meio da semana. No quadro abaixo, apresento as distâncias totais percorridas por cada equipa. (Pode clicar na imagem para aumentá-la)


O Sporting foi a equipa que mais correu, com alguma diferença para Benfica e Porto que estão bastante próximos um do outro. Por isso e também porque é inevitável que haja algum relaxamento ao passar do Bernabéu para o Estádio dos Arcos, parece-me que o Sporting é a equipa que corre mais riscos de perder pontos nesta jornada.

O Benfica acabou por ter alguma sorte com o calendário, porque terá mais dois dias de descanso que o Braga, que jogou na Liga Europa. Ainda assim, o jogo não será fácil e as muitas lesões no plantel dos encarnados não dão grande margem para fazer rotações ou refrescar a equipa.

No Sporting os jogadores que mais correram foram Bas Dost, William e Bryan Ruiz, no Benfica foram André Horta, Salvio e Guedes, enquanto no Porto foram Óliver, Danilo e André Silva. De resto, Óliver foi, de todos os jogadores em prova, o terceiro que mais correu (12449 m), tendo ficado apenas atrás de Jorginho do Nápoles (12754 m) e de... Bernardo Silva (12564 m). Claro que estes dados, isolados, não significam grande coisa. Basta lembrar que Messi só precisou de correr 7892 metros para fazer um hattrick frente ao Celtic.



É curioso também o facto de Sporting e Benfica terem corrido bastante mais do que os seus adversários (Real Madrid e Besiktas, respetivamente). Será que isso ajuda a explicar o  facto de ambos terem deixado escapar a vitória nos minutos finais?

sábado, 17 de setembro de 2016

Portugal em 7.º no ranking UEFA – tudo sobre as contas que temos de fazer

Depois de cinco épocas consecutivas no 5.º lugar do ranking de clubes da UEFA, Portugal corre sérios riscos de ser ultrapassado por França e Rússia. Eis a evolução do nosso coeficiente ao longo dos últimos anos.


Aliás, se a época terminasse agora, baixaríamos para o sétimo lugar. É que, apesar de termos terminado a época passada em quinto, este ano já começámos em sétimo. Como o coeficiente é dado pela média dos pontos dos últimos cinco anos, agora deixa de contar a época 2011-12, em que tínhamos feito mais pontos que franceses e russos.

Para evitar cair para sétimo lugar, temos de somar mais pontos nesta época que os dois países referidos. O problema é que esta jornada não ajudou nada a isso. No início desta semana, estávamos a 0,5 pontos da Rússia e 1,5 de França. Agora estamos a 1 e a 2, respetivamente.

Abaixo deixo os resultados desta semana e como contribuíram para o nosso coeficiente. (Pode clicar na imagem para a aumentar)

.


Um dos nosso problemas é o o facto de já só termos quatro das nossas equipas em prova (Arouca e Rio Ave foram eliminados). França ainda tem cinco equipas (só o Lille ciau) e a Rússia tem quatro como nós, mas começou com apenas cinco, por isso, os pontos de cada uma das suas equipas têm uma contribuição maior para o coeficiente total.
Abaixo, deixo a evolução dos coeficientes desde o início desta época.



Como se vê, partimos atrás e, nesta jornada, ainda ficámos mais longe. Para a próxima, já sabe contra quem deve torcer!


Notas: 
O coeficiente é dado pela média dos pontos obtidos durante as últimas cinco temporadas.
Atribuição de pontos: 2 pontos por vitória, um por empate (nas pré-eliminatórias e play-off é metade). 4 pontos pela presença na fase de grupos da Champions e 4 por apuramento para os oitavos. Um ponto extra por cada fase que se passa depois (oitavos, quartos, meias, final) quer na Champions, quer na Liga Europa.
Os pontos são divididos pelo total de clubes que cada país apura. Os nossos pontos são a dividir por seis (tal como os de França). Os pontos da Rússia são divididos por 5.
Equipas portuguesas: Benfica, Sporting, Porto, Braga, Arouca (eliminado), Rio Ave (eliminado)
Equipas francesas: PSG, Lyon, Monaco, Nice, Saint-Étienne, Lille (eliminado)
Equipas russas: CSKA, Rostov, Zenit, Krasnodar, Spartak de Moscovo (eliminado)

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Champions: O sorteio do Sporting (e do Pote 3)

Depois de ter analisado a sorte de Benfica e Porto na Champions, chega a vez do Sporting e restantes equipas do Pote 3.

Usando os coeficientes UEFA como indicador da qualidade de cada equipa, conclui-se que o Sporting ficou no segundo grupo mais forte da competição, apenas atrás do grupo que reúne Bayern, Atlético, PSV e Rostov.

No quadro abaixo, apresento a soma dos coeficientes dos três adversários que caíram em sorte (ou azar) a cada equipa do Pote 3:


Como se vê na tabela, o Sporting tem razões para se queixar da sua sorte na Liga dos Campeões. O Real Madrid era a equipa com o coeficiente mais alto de entre todas as que estão na competição, enquanto o Borussia era a segunda equipa mais forte do Pote 2 (de acordo com o seu coeficiente), superada apenas por Atlético de Madrid.

No entanto, dado que o principal objetivo é passar à próxima fase, não é necessário bater a equipa mais forte do grupo. Cada clube "só" tem de ficar à frente de dois dos seus adversários. No quadro abaixo, apresento a soma dos coeficientes dos dois adversários mais fracos para cada equipa do Pote 3:

O cenário não melhora muito para o Sporting. É verdade que PSV (que terá de superiorizar-se a Atlético e Rostov) e Monchengladbach (que terá de superar o Man. City e o Celtic) tiveram ainda mais azar, mas bater Borussia e Legia não será nada fácil.

No outro extremo, saiu a sorte grande ao Club Brugge, que tem de rivalizar "apenas" com Leicester e Copenhaga. Os belgas continuam a não ser favoritos para passar o grupo, mas, estando no Pote 3, dificilmente podiam pedir melhor.

Cabe agora aos jogadores, em campo, contrariarem todas estas análises.

Champions: O sorteio do Porto (Pote 2)

Tal como fiz para o sorteio do Benfica e do Pote 1, hoje olho o sorteio do Porto e do Pote 2.

Vejamos a soma dos coeficientes dos três adversários de cada equipa:


Como já se sabia, o Porto foi a equipa do Pote 2 que mais sorte teve. Aliás, dificilmente o Porto poderia ter tido mais sorte (de acordo com os coeficientes dos adversários). No Pote 1, o Leicester era, de longe, a equipa com o pior coeficiente. No Pote 3, o Club Brugge era a segunda equipa com coeficiente mais baixo e no Pote 4, o Copenhaga também era a segunda equipa mais fraca.

Aliás, o coeficiente do Porto (92.616) é mais alto do que o dos seus três adversários somados! Este é, claramente, o grupo mais fraco da competição. O coeficiente das equipas do grupo do Sporting, por exemplo, é mais do dobro dos coeficientes deste grupo.

Nesta análise, estou a considerar todas as equipas de cada grupo, mas, dado que o objetivo principal é passar à fase seguinte, basta que cada equipa fique à frente de dois adversários. No quadro abaixo, somei os coeficientes dos dois elementos mais fracos de cada grupo, para determinar quão fácil será passar aos oitavos de final.


Sem surpresa, o Porto é quem tem a tarefa mais facilitada. Deste ponto de vista, a segunda equipa com mais sorte no Pote 2 foi o Atlético, que, apesar de ter o Bayern no seu grupo, apenas tem de ficar à frente de PSV e Rostov. O Borussia de Dortmund está numa situação parecida: tem uma equipa fortíssima no grupo (Real Madrid), mas pode considerar que teve sorte, dado "só" ter de ficar à frente de Sporting e Legia.

Tudo isto, assumindo que os coeficientes de cada clube representam fielmente a qualidade das equipas. Em campo, logo veremos se isso é mesmo assim.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Champions: O sorteio do Benfica (e do Pote 1)

Com a Liga dos Campeões prestes a começar, decidi analisar a sorte (ou azar) de cada um dos três grandes no sorteio.

É difícil comparar a sorte de equipas que estavam em potes diferentes. Por exemplo, já seria de esperar que o Sporting tivesse um grupo mais complicado que Benfica e Porto, simplesmente porque estava no Pote 3. Assim, vou analisar separadamente a sorte das equipas de cada pote. Comecemos pelo primeiro pote, onde estava o Benfica.

Para determinar a dificuldade de cada grupo, baseei-me no coeficiente de cada clube. O coeficiente nem sempre representa bem a qualidade dos clubes (Monaco e Leicester, por exemplo, têm um coeficiente demasiado baixo para a qualidade das suas equipas), mas em geral é uma boa aproximação. Comparei o coeficiente de cada clube com a odd que a Betclic atribuía para a vitória na competição (antes do sorteio) e a correlação é muito alta: 0,8.

Somando os coeficientes dos três adversários que cada equipa terá de enfrentar na fase de grupos, chegamos aos seguintes resultados:


Quanto maior o valor da soma, maior a dificuldade que se irá enfrentar. Assim, conclui-se que o PSG tem o grupo mais difícil e o Leicester o mais fácil. Não se pode dizer que o Benfica tenha tido muita sorte nem muitob azar.

Mas, dado que para passar à fase seguinte basta ficar num dos dois primeiros lugares do grupo, é interessante analisar quem terá essa tarefa mais facilitada. Para isso, somei apenas o coeficiente das duas equipas mais fracas de cada grupo:

 Assim, conclui-se que o Benfica está no terceiro grupo mais difícil de passar (da perspetiva dos clubes do Pote 1), tendo de superar Din. Kiev e Besiktas. O Leicester é o que tem tarefa mais fácil, basta ficar à frente de Club Brugge e Copenhaga.

A partir de amanhã, veremos se a sorte e o azar se confirmam dentro de campo. E claro que, dentro do Pote 1, até o mais azarado continua a ser favorito a passar.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Benfica e Porto favoritos na liga mais equilibrada da Europa

Fui espreitar qual o grau de favoritismo que as casas de apostas* atribuem aos três grandes na luta pelo título.


Curiosamente, apesar de muitos adeptos considerarem que o Porto, este ano, parte atrás de Benfica e Sporting, não é essa a "opinião" da Betfair. Benfica e Porto surgem com igual nível de favoritismo, com o Sporting como terceiro favorito, ainda que muito perto dos outros dois.
E estas são as odds à terceira jornada, já depois de o Sporting se ter isolado na frente do campeonato. 

Espreitei também os favoritos dos outros principais campeonatos europeus.


Comparando o campeonato português com os restantes, vemos que o nosso é o único em que há três candidatos com praticamente as mesmas hipóteses de serem campeões.

Nos campeonatos alemão, italiano e francês já todos sabem quem vai ser o campeão. Espanha tem apenas dois candidatos, com o Barcelona bem melhor posicionado que o Real; Inglaterra tem vários candidatos, mas o Manchester City é mais favorito a ser campeão, do que qualquer dos grandes em Portugal. Na Holanda, o PSV é claramente favorito, embora Ajax e Feyenoord também sejam candidatos.

Na Bélgica, a incerteza quanto a quem será o campeão é quase tão grande como em Portugal, mas a luta espera-se que seja a dois, entre Anderlecht e Club Brugge. Finalmente, a Turquia é o único campeonato que, à semelhança de Portugal, tem três grandes favoritos. Ainda assim, o equilíbrio entre Benfica, Porto e Sporting é ainda maior do que entre Besiktas, Fenerbahçe e Galatasaray.


E, tendo dito tudo isto, pode sempre aparecer um Leicester por aí...


* Todas as odds aqui referidas são da Betfair "espanhola", de dia 9 de setembro de manhã.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A (in)eficácia de Ederzito

Não foi por Ederzito que perdemos frente à Suiça, embora me pareça evidente que André Silva já mostrou que é melhor jogador que o herói de Paris. Agora que o Éder vai voltando a ser o que sempre foi, tive curiosidade de comparar a sua eficácia com os pontas-de-lança de outras seleções.

Comecei por comparar os registos de Éder na seleção nacional com os registos dos outros avançados que estão no nosso grupo de qualificação.


Ederzito até não sai mal de todo na comparação. Considerando os minutos de que precisa para marca um golo na seleção, está ao mesmo nível de Seferovic, o avançado da Suiça, e perto de Szalai da Hungria. Grave é que, para Éder, o nível de comparação tenha de ser mesmo este. Se o compararmos com outro tipo de seleções...


Vale-nos o facto de termos Cristiano Ronaldo, um extremo que marca tanto como os melhores avançados. Ronaldo, na seleção, faz um golo a cada 170 minutos. Que recupere depressa!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Jogadores mais sobrevalorizados na Europa

O CIES – FootballObservatory acompanha as cinco maiores ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França) e, entre outras coisas, tem um algoritmo que ajuda a prever os futuros valores de transferência de cada jogador.

Esta semana, compararam o valor que tinha sido previsto pelo seu algoritmo com o valor pelo qual as transferências se fizeram de facto. Infelizmente, o estudo só cobre transferências feitas entre clubes das cinco principais ligas já referidas.

 

Assim, em termos absolutos, Higuaín foi o jogador mais sobrevalorizado pelo comprador*. O CIES previa que o valor de transferência do argentino fosse de € 66,2 M, mas a Juventus pagou € 90 M. 

Em termos relativos, o jogador mais sobrevalorizado foi Yannick Bolasie, o extremo congolês de 27 anos, por quem o Everton pagou (€ 34,6 M) quase três vezes mais do que o valor previsto pelo CIES (€ 12,2 M). Outras transferências que se destacaram por ficar bem acima do preço esperado foram as de Marcos Alonso para a Fiorentina, de Eric Bailly para o Manchester United de Mourinho, e de Kevin Gameiro para o Atlético de Madrid.

Note-se que a transferência de Pogba, apesar de ter sido a mais cara de sempre, ficou apenas 16% acima do valor previsto.

E, em Portugal, quais terão sido os jogadores mais sobrevalorizados? Parece-me que Jiménez é um forte candidato a liderar a lista.


* Na realidade, não sabemos se o jogador foi sobreavaliado pelo clube ou se estava subavaliado pelo algoritmo. O algoritmo tem em conta dados objetivos (como número de jogos, golos, internacionalizações, idade, duração do contrato). Em média, as previsões estão corretas, mas para casos específicos podem estar bastante erradas.