domingo, 18 de setembro de 2016

Quem mais correu na Liga dos Campeões?

Depois da primeira jornada da Liga dos Campeões, Porto e Sporting entram hoje em ação, enquanto o Benfica recebe amanhã o Braga. Estas são sempre jornadas de risco para os grandes, devido ao desgaste acumulado nos jogos a meio da semana. No quadro abaixo, apresento as distâncias totais percorridas por cada equipa. (Pode clicar na imagem para aumentá-la)


O Sporting foi a equipa que mais correu, com alguma diferença para Benfica e Porto que estão bastante próximos um do outro. Por isso e também porque é inevitável que haja algum relaxamento ao passar do Bernabéu para o Estádio dos Arcos, parece-me que o Sporting é a equipa que corre mais riscos de perder pontos nesta jornada.

O Benfica acabou por ter alguma sorte com o calendário, porque terá mais dois dias de descanso que o Braga, que jogou na Liga Europa. Ainda assim, o jogo não será fácil e as muitas lesões no plantel dos encarnados não dão grande margem para fazer rotações ou refrescar a equipa.

No Sporting os jogadores que mais correram foram Bas Dost, William e Bryan Ruiz, no Benfica foram André Horta, Salvio e Guedes, enquanto no Porto foram Óliver, Danilo e André Silva. De resto, Óliver foi, de todos os jogadores em prova, o terceiro que mais correu (12449 m), tendo ficado apenas atrás de Jorginho do Nápoles (12754 m) e de... Bernardo Silva (12564 m). Claro que estes dados, isolados, não significam grande coisa. Basta lembrar que Messi só precisou de correr 7892 metros para fazer um hattrick frente ao Celtic.



É curioso também o facto de Sporting e Benfica terem corrido bastante mais do que os seus adversários (Real Madrid e Besiktas, respetivamente). Será que isso ajuda a explicar o  facto de ambos terem deixado escapar a vitória nos minutos finais?

sábado, 17 de setembro de 2016

Portugal em 7.º no ranking UEFA – tudo sobre as contas que temos de fazer

Depois de cinco épocas consecutivas no 5.º lugar do ranking de clubes da UEFA, Portugal corre sérios riscos de ser ultrapassado por França e Rússia. Eis a evolução do nosso coeficiente ao longo dos últimos anos.


Aliás, se a época terminasse agora, baixaríamos para o sétimo lugar. É que, apesar de termos terminado a época passada em quinto, este ano já começámos em sétimo. Como o coeficiente é dado pela média dos pontos dos últimos cinco anos, agora deixa de contar a época 2011-12, em que tínhamos feito mais pontos que franceses e russos.

Para evitar cair para sétimo lugar, temos de somar mais pontos nesta época que os dois países referidos. O problema é que esta jornada não ajudou nada a isso. No início desta semana, estávamos a 0,5 pontos da Rússia e 1,5 de França. Agora estamos a 1 e a 2, respetivamente.

Abaixo deixo os resultados desta semana e como contribuíram para o nosso coeficiente. (Pode clicar na imagem para a aumentar)

.


Um dos nosso problemas é o o facto de já só termos quatro das nossas equipas em prova (Arouca e Rio Ave foram eliminados). França ainda tem cinco equipas (só o Lille ciau) e a Rússia tem quatro como nós, mas começou com apenas cinco, por isso, os pontos de cada uma das suas equipas têm uma contribuição maior para o coeficiente total.
Abaixo, deixo a evolução dos coeficientes desde o início desta época.



Como se vê, partimos atrás e, nesta jornada, ainda ficámos mais longe. Para a próxima, já sabe contra quem deve torcer!


Notas: 
O coeficiente é dado pela média dos pontos obtidos durante as últimas cinco temporadas.
Atribuição de pontos: 2 pontos por vitória, um por empate (nas pré-eliminatórias e play-off é metade). 4 pontos pela presença na fase de grupos da Champions e 4 por apuramento para os oitavos. Um ponto extra por cada fase que se passa depois (oitavos, quartos, meias, final) quer na Champions, quer na Liga Europa.
Os pontos são divididos pelo total de clubes que cada país apura. Os nossos pontos são a dividir por seis (tal como os de França). Os pontos da Rússia são divididos por 5.
Equipas portuguesas: Benfica, Sporting, Porto, Braga, Arouca (eliminado), Rio Ave (eliminado)
Equipas francesas: PSG, Lyon, Monaco, Nice, Saint-Étienne, Lille (eliminado)
Equipas russas: CSKA, Rostov, Zenit, Krasnodar, Spartak de Moscovo (eliminado)

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Champions: O sorteio do Sporting (e do Pote 3)

Depois de ter analisado a sorte de Benfica e Porto na Champions, chega a vez do Sporting e restantes equipas do Pote 3.

Usando os coeficientes UEFA como indicador da qualidade de cada equipa, conclui-se que o Sporting ficou no segundo grupo mais forte da competição, apenas atrás do grupo que reúne Bayern, Atlético, PSV e Rostov.

No quadro abaixo, apresento a soma dos coeficientes dos três adversários que caíram em sorte (ou azar) a cada equipa do Pote 3:


Como se vê na tabela, o Sporting tem razões para se queixar da sua sorte na Liga dos Campeões. O Real Madrid era a equipa com o coeficiente mais alto de entre todas as que estão na competição, enquanto o Borussia era a segunda equipa mais forte do Pote 2 (de acordo com o seu coeficiente), superada apenas por Atlético de Madrid.

No entanto, dado que o principal objetivo é passar à próxima fase, não é necessário bater a equipa mais forte do grupo. Cada clube "só" tem de ficar à frente de dois dos seus adversários. No quadro abaixo, apresento a soma dos coeficientes dos dois adversários mais fracos para cada equipa do Pote 3:

O cenário não melhora muito para o Sporting. É verdade que PSV (que terá de superiorizar-se a Atlético e Rostov) e Monchengladbach (que terá de superar o Man. City e o Celtic) tiveram ainda mais azar, mas bater Borussia e Legia não será nada fácil.

No outro extremo, saiu a sorte grande ao Club Brugge, que tem de rivalizar "apenas" com Leicester e Copenhaga. Os belgas continuam a não ser favoritos para passar o grupo, mas, estando no Pote 3, dificilmente podiam pedir melhor.

Cabe agora aos jogadores, em campo, contrariarem todas estas análises.

Champions: O sorteio do Porto (Pote 2)

Tal como fiz para o sorteio do Benfica e do Pote 1, hoje olho o sorteio do Porto e do Pote 2.

Vejamos a soma dos coeficientes dos três adversários de cada equipa:


Como já se sabia, o Porto foi a equipa do Pote 2 que mais sorte teve. Aliás, dificilmente o Porto poderia ter tido mais sorte (de acordo com os coeficientes dos adversários). No Pote 1, o Leicester era, de longe, a equipa com o pior coeficiente. No Pote 3, o Club Brugge era a segunda equipa com coeficiente mais baixo e no Pote 4, o Copenhaga também era a segunda equipa mais fraca.

Aliás, o coeficiente do Porto (92.616) é mais alto do que o dos seus três adversários somados! Este é, claramente, o grupo mais fraco da competição. O coeficiente das equipas do grupo do Sporting, por exemplo, é mais do dobro dos coeficientes deste grupo.

Nesta análise, estou a considerar todas as equipas de cada grupo, mas, dado que o objetivo principal é passar à fase seguinte, basta que cada equipa fique à frente de dois adversários. No quadro abaixo, somei os coeficientes dos dois elementos mais fracos de cada grupo, para determinar quão fácil será passar aos oitavos de final.


Sem surpresa, o Porto é quem tem a tarefa mais facilitada. Deste ponto de vista, a segunda equipa com mais sorte no Pote 2 foi o Atlético, que, apesar de ter o Bayern no seu grupo, apenas tem de ficar à frente de PSV e Rostov. O Borussia de Dortmund está numa situação parecida: tem uma equipa fortíssima no grupo (Real Madrid), mas pode considerar que teve sorte, dado "só" ter de ficar à frente de Sporting e Legia.

Tudo isto, assumindo que os coeficientes de cada clube representam fielmente a qualidade das equipas. Em campo, logo veremos se isso é mesmo assim.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Champions: O sorteio do Benfica (e do Pote 1)

Com a Liga dos Campeões prestes a começar, decidi analisar a sorte (ou azar) de cada um dos três grandes no sorteio.

É difícil comparar a sorte de equipas que estavam em potes diferentes. Por exemplo, já seria de esperar que o Sporting tivesse um grupo mais complicado que Benfica e Porto, simplesmente porque estava no Pote 3. Assim, vou analisar separadamente a sorte das equipas de cada pote. Comecemos pelo primeiro pote, onde estava o Benfica.

Para determinar a dificuldade de cada grupo, baseei-me no coeficiente de cada clube. O coeficiente nem sempre representa bem a qualidade dos clubes (Monaco e Leicester, por exemplo, têm um coeficiente demasiado baixo para a qualidade das suas equipas), mas em geral é uma boa aproximação. Comparei o coeficiente de cada clube com a odd que a Betclic atribuía para a vitória na competição (antes do sorteio) e a correlação é muito alta: 0,8.

Somando os coeficientes dos três adversários que cada equipa terá de enfrentar na fase de grupos, chegamos aos seguintes resultados:


Quanto maior o valor da soma, maior a dificuldade que se irá enfrentar. Assim, conclui-se que o PSG tem o grupo mais difícil e o Leicester o mais fácil. Não se pode dizer que o Benfica tenha tido muita sorte nem muitob azar.

Mas, dado que para passar à fase seguinte basta ficar num dos dois primeiros lugares do grupo, é interessante analisar quem terá essa tarefa mais facilitada. Para isso, somei apenas o coeficiente das duas equipas mais fracas de cada grupo:

 Assim, conclui-se que o Benfica está no terceiro grupo mais difícil de passar (da perspetiva dos clubes do Pote 1), tendo de superar Din. Kiev e Besiktas. O Leicester é o que tem tarefa mais fácil, basta ficar à frente de Club Brugge e Copenhaga.

A partir de amanhã, veremos se a sorte e o azar se confirmam dentro de campo. E claro que, dentro do Pote 1, até o mais azarado continua a ser favorito a passar.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Benfica e Porto favoritos na liga mais equilibrada da Europa

Fui espreitar qual o grau de favoritismo que as casas de apostas* atribuem aos três grandes na luta pelo título.


Curiosamente, apesar de muitos adeptos considerarem que o Porto, este ano, parte atrás de Benfica e Sporting, não é essa a "opinião" da Betfair. Benfica e Porto surgem com igual nível de favoritismo, com o Sporting como terceiro favorito, ainda que muito perto dos outros dois.
E estas são as odds à terceira jornada, já depois de o Sporting se ter isolado na frente do campeonato. 

Espreitei também os favoritos dos outros principais campeonatos europeus.


Comparando o campeonato português com os restantes, vemos que o nosso é o único em que há três candidatos com praticamente as mesmas hipóteses de serem campeões.

Nos campeonatos alemão, italiano e francês já todos sabem quem vai ser o campeão. Espanha tem apenas dois candidatos, com o Barcelona bem melhor posicionado que o Real; Inglaterra tem vários candidatos, mas o Manchester City é mais favorito a ser campeão, do que qualquer dos grandes em Portugal. Na Holanda, o PSV é claramente favorito, embora Ajax e Feyenoord também sejam candidatos.

Na Bélgica, a incerteza quanto a quem será o campeão é quase tão grande como em Portugal, mas a luta espera-se que seja a dois, entre Anderlecht e Club Brugge. Finalmente, a Turquia é o único campeonato que, à semelhança de Portugal, tem três grandes favoritos. Ainda assim, o equilíbrio entre Benfica, Porto e Sporting é ainda maior do que entre Besiktas, Fenerbahçe e Galatasaray.


E, tendo dito tudo isto, pode sempre aparecer um Leicester por aí...


* Todas as odds aqui referidas são da Betfair "espanhola", de dia 9 de setembro de manhã.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A (in)eficácia de Ederzito

Não foi por Ederzito que perdemos frente à Suiça, embora me pareça evidente que André Silva já mostrou que é melhor jogador que o herói de Paris. Agora que o Éder vai voltando a ser o que sempre foi, tive curiosidade de comparar a sua eficácia com os pontas-de-lança de outras seleções.

Comecei por comparar os registos de Éder na seleção nacional com os registos dos outros avançados que estão no nosso grupo de qualificação.


Ederzito até não sai mal de todo na comparação. Considerando os minutos de que precisa para marca um golo na seleção, está ao mesmo nível de Seferovic, o avançado da Suiça, e perto de Szalai da Hungria. Grave é que, para Éder, o nível de comparação tenha de ser mesmo este. Se o compararmos com outro tipo de seleções...


Vale-nos o facto de termos Cristiano Ronaldo, um extremo que marca tanto como os melhores avançados. Ronaldo, na seleção, faz um golo a cada 170 minutos. Que recupere depressa!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Jogadores mais sobrevalorizados na Europa

O CIES – FootballObservatory acompanha as cinco maiores ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França) e, entre outras coisas, tem um algoritmo que ajuda a prever os futuros valores de transferência de cada jogador.

Esta semana, compararam o valor que tinha sido previsto pelo seu algoritmo com o valor pelo qual as transferências se fizeram de facto. Infelizmente, o estudo só cobre transferências feitas entre clubes das cinco principais ligas já referidas.

 

Assim, em termos absolutos, Higuaín foi o jogador mais sobrevalorizado pelo comprador*. O CIES previa que o valor de transferência do argentino fosse de € 66,2 M, mas a Juventus pagou € 90 M. 

Em termos relativos, o jogador mais sobrevalorizado foi Yannick Bolasie, o extremo congolês de 27 anos, por quem o Everton pagou (€ 34,6 M) quase três vezes mais do que o valor previsto pelo CIES (€ 12,2 M). Outras transferências que se destacaram por ficar bem acima do preço esperado foram as de Marcos Alonso para a Fiorentina, de Eric Bailly para o Manchester United de Mourinho, e de Kevin Gameiro para o Atlético de Madrid.

Note-se que a transferência de Pogba, apesar de ter sido a mais cara de sempre, ficou apenas 16% acima do valor previsto.

E, em Portugal, quais terão sido os jogadores mais sobrevalorizados? Parece-me que Jiménez é um forte candidato a liderar a lista.


* Na realidade, não sabemos se o jogador foi sobreavaliado pelo clube ou se estava subavaliado pelo algoritmo. O algoritmo tem em conta dados objetivos (como número de jogos, golos, internacionalizações, idade, duração do contrato). Em média, as previsões estão corretas, mas para casos específicos podem estar bastante erradas.

sábado, 3 de setembro de 2016

Nélson Semedo ultrapassado por João Cancelo na seleção


Nélson Semedo e João Cancelo são sensivelmente da mesma idade (a diferença é de apenas sete meses) e jogam na mesma posição, pelo que é interessante comparar a evolução dos dois.

Na época passada, ambos começaram como titulares dos seus clubes, mas, a 11 de outubro de 2015, Fernando Santos dava a primeira internacionalização a Semedo, deixando Cancelo de fora. Passado pouco mais de um ano, ambos começaram, mais uma vez, a época como titulares, mas, ollhando a mais recente convocatória, Fernando Santos parece agora ter mudado de opinião.

No dia em que Semedo teve a sua primeira internacionalização, João Cancelo levava já sete jogos completos nessa época, mais treze jogos e 717 minutos na época anterior. No entanto, 62 dias apenas e nove jogos de Semedo pela equipa principal do Benfica chegaram para convencer Fernando Santos. 


É, por isso, curioso constatar que, agora, o selecionador Santos tenha mudado de opinião. Parece que Cancelo conseguiu conquistar a confiança do selecionador ao longo da última época, feito que se torna ainda mais meritório se tivermos em conta que o Valência teve uma época muito atribulada, com três treinadores diferentes e resultados muito abaixo do esperado, enquanto o Benfica fez uma grande época, sendo campeão.




Ainda assim, nem Cancelo nem Semedo se podem queixar de falta de oportunidades na seleção. Cédric, que parece agora ser o titular português na lateral direita, teve de fazer 91 jogos e 8073 minutos por Académica e Sporting até ter a oportunidade de se estrear por Portugal.