terça-feira, 13 de setembro de 2016

Champions: O sorteio do Porto (Pote 2)

Tal como fiz para o sorteio do Benfica e do Pote 1, hoje olho o sorteio do Porto e do Pote 2.

Vejamos a soma dos coeficientes dos três adversários de cada equipa:


Como já se sabia, o Porto foi a equipa do Pote 2 que mais sorte teve. Aliás, dificilmente o Porto poderia ter tido mais sorte (de acordo com os coeficientes dos adversários). No Pote 1, o Leicester era, de longe, a equipa com o pior coeficiente. No Pote 3, o Club Brugge era a segunda equipa com coeficiente mais baixo e no Pote 4, o Copenhaga também era a segunda equipa mais fraca.

Aliás, o coeficiente do Porto (92.616) é mais alto do que o dos seus três adversários somados! Este é, claramente, o grupo mais fraco da competição. O coeficiente das equipas do grupo do Sporting, por exemplo, é mais do dobro dos coeficientes deste grupo.

Nesta análise, estou a considerar todas as equipas de cada grupo, mas, dado que o objetivo principal é passar à fase seguinte, basta que cada equipa fique à frente de dois adversários. No quadro abaixo, somei os coeficientes dos dois elementos mais fracos de cada grupo, para determinar quão fácil será passar aos oitavos de final.


Sem surpresa, o Porto é quem tem a tarefa mais facilitada. Deste ponto de vista, a segunda equipa com mais sorte no Pote 2 foi o Atlético, que, apesar de ter o Bayern no seu grupo, apenas tem de ficar à frente de PSV e Rostov. O Borussia de Dortmund está numa situação parecida: tem uma equipa fortíssima no grupo (Real Madrid), mas pode considerar que teve sorte, dado "só" ter de ficar à frente de Sporting e Legia.

Tudo isto, assumindo que os coeficientes de cada clube representam fielmente a qualidade das equipas. Em campo, logo veremos se isso é mesmo assim.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Champions: O sorteio do Benfica (e do Pote 1)

Com a Liga dos Campeões prestes a começar, decidi analisar a sorte (ou azar) de cada um dos três grandes no sorteio.

É difícil comparar a sorte de equipas que estavam em potes diferentes. Por exemplo, já seria de esperar que o Sporting tivesse um grupo mais complicado que Benfica e Porto, simplesmente porque estava no Pote 3. Assim, vou analisar separadamente a sorte das equipas de cada pote. Comecemos pelo primeiro pote, onde estava o Benfica.

Para determinar a dificuldade de cada grupo, baseei-me no coeficiente de cada clube. O coeficiente nem sempre representa bem a qualidade dos clubes (Monaco e Leicester, por exemplo, têm um coeficiente demasiado baixo para a qualidade das suas equipas), mas em geral é uma boa aproximação. Comparei o coeficiente de cada clube com a odd que a Betclic atribuía para a vitória na competição (antes do sorteio) e a correlação é muito alta: 0,8.

Somando os coeficientes dos três adversários que cada equipa terá de enfrentar na fase de grupos, chegamos aos seguintes resultados:


Quanto maior o valor da soma, maior a dificuldade que se irá enfrentar. Assim, conclui-se que o PSG tem o grupo mais difícil e o Leicester o mais fácil. Não se pode dizer que o Benfica tenha tido muita sorte nem muitob azar.

Mas, dado que para passar à fase seguinte basta ficar num dos dois primeiros lugares do grupo, é interessante analisar quem terá essa tarefa mais facilitada. Para isso, somei apenas o coeficiente das duas equipas mais fracas de cada grupo:

 Assim, conclui-se que o Benfica está no terceiro grupo mais difícil de passar (da perspetiva dos clubes do Pote 1), tendo de superar Din. Kiev e Besiktas. O Leicester é o que tem tarefa mais fácil, basta ficar à frente de Club Brugge e Copenhaga.

A partir de amanhã, veremos se a sorte e o azar se confirmam dentro de campo. E claro que, dentro do Pote 1, até o mais azarado continua a ser favorito a passar.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Benfica e Porto favoritos na liga mais equilibrada da Europa

Fui espreitar qual o grau de favoritismo que as casas de apostas* atribuem aos três grandes na luta pelo título.


Curiosamente, apesar de muitos adeptos considerarem que o Porto, este ano, parte atrás de Benfica e Sporting, não é essa a "opinião" da Betfair. Benfica e Porto surgem com igual nível de favoritismo, com o Sporting como terceiro favorito, ainda que muito perto dos outros dois.
E estas são as odds à terceira jornada, já depois de o Sporting se ter isolado na frente do campeonato. 

Espreitei também os favoritos dos outros principais campeonatos europeus.


Comparando o campeonato português com os restantes, vemos que o nosso é o único em que há três candidatos com praticamente as mesmas hipóteses de serem campeões.

Nos campeonatos alemão, italiano e francês já todos sabem quem vai ser o campeão. Espanha tem apenas dois candidatos, com o Barcelona bem melhor posicionado que o Real; Inglaterra tem vários candidatos, mas o Manchester City é mais favorito a ser campeão, do que qualquer dos grandes em Portugal. Na Holanda, o PSV é claramente favorito, embora Ajax e Feyenoord também sejam candidatos.

Na Bélgica, a incerteza quanto a quem será o campeão é quase tão grande como em Portugal, mas a luta espera-se que seja a dois, entre Anderlecht e Club Brugge. Finalmente, a Turquia é o único campeonato que, à semelhança de Portugal, tem três grandes favoritos. Ainda assim, o equilíbrio entre Benfica, Porto e Sporting é ainda maior do que entre Besiktas, Fenerbahçe e Galatasaray.


E, tendo dito tudo isto, pode sempre aparecer um Leicester por aí...


* Todas as odds aqui referidas são da Betfair "espanhola", de dia 9 de setembro de manhã.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A (in)eficácia de Ederzito

Não foi por Ederzito que perdemos frente à Suiça, embora me pareça evidente que André Silva já mostrou que é melhor jogador que o herói de Paris. Agora que o Éder vai voltando a ser o que sempre foi, tive curiosidade de comparar a sua eficácia com os pontas-de-lança de outras seleções.

Comecei por comparar os registos de Éder na seleção nacional com os registos dos outros avançados que estão no nosso grupo de qualificação.


Ederzito até não sai mal de todo na comparação. Considerando os minutos de que precisa para marca um golo na seleção, está ao mesmo nível de Seferovic, o avançado da Suiça, e perto de Szalai da Hungria. Grave é que, para Éder, o nível de comparação tenha de ser mesmo este. Se o compararmos com outro tipo de seleções...


Vale-nos o facto de termos Cristiano Ronaldo, um extremo que marca tanto como os melhores avançados. Ronaldo, na seleção, faz um golo a cada 170 minutos. Que recupere depressa!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Jogadores mais sobrevalorizados na Europa

O CIES – FootballObservatory acompanha as cinco maiores ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França) e, entre outras coisas, tem um algoritmo que ajuda a prever os futuros valores de transferência de cada jogador.

Esta semana, compararam o valor que tinha sido previsto pelo seu algoritmo com o valor pelo qual as transferências se fizeram de facto. Infelizmente, o estudo só cobre transferências feitas entre clubes das cinco principais ligas já referidas.

 

Assim, em termos absolutos, Higuaín foi o jogador mais sobrevalorizado pelo comprador*. O CIES previa que o valor de transferência do argentino fosse de € 66,2 M, mas a Juventus pagou € 90 M. 

Em termos relativos, o jogador mais sobrevalorizado foi Yannick Bolasie, o extremo congolês de 27 anos, por quem o Everton pagou (€ 34,6 M) quase três vezes mais do que o valor previsto pelo CIES (€ 12,2 M). Outras transferências que se destacaram por ficar bem acima do preço esperado foram as de Marcos Alonso para a Fiorentina, de Eric Bailly para o Manchester United de Mourinho, e de Kevin Gameiro para o Atlético de Madrid.

Note-se que a transferência de Pogba, apesar de ter sido a mais cara de sempre, ficou apenas 16% acima do valor previsto.

E, em Portugal, quais terão sido os jogadores mais sobrevalorizados? Parece-me que Jiménez é um forte candidato a liderar a lista.


* Na realidade, não sabemos se o jogador foi sobreavaliado pelo clube ou se estava subavaliado pelo algoritmo. O algoritmo tem em conta dados objetivos (como número de jogos, golos, internacionalizações, idade, duração do contrato). Em média, as previsões estão corretas, mas para casos específicos podem estar bastante erradas.

sábado, 3 de setembro de 2016

Nélson Semedo ultrapassado por João Cancelo na seleção


Nélson Semedo e João Cancelo são sensivelmente da mesma idade (a diferença é de apenas sete meses) e jogam na mesma posição, pelo que é interessante comparar a evolução dos dois.

Na época passada, ambos começaram como titulares dos seus clubes, mas, a 11 de outubro de 2015, Fernando Santos dava a primeira internacionalização a Semedo, deixando Cancelo de fora. Passado pouco mais de um ano, ambos começaram, mais uma vez, a época como titulares, mas, ollhando a mais recente convocatória, Fernando Santos parece agora ter mudado de opinião.

No dia em que Semedo teve a sua primeira internacionalização, João Cancelo levava já sete jogos completos nessa época, mais treze jogos e 717 minutos na época anterior. No entanto, 62 dias apenas e nove jogos de Semedo pela equipa principal do Benfica chegaram para convencer Fernando Santos. 


É, por isso, curioso constatar que, agora, o selecionador Santos tenha mudado de opinião. Parece que Cancelo conseguiu conquistar a confiança do selecionador ao longo da última época, feito que se torna ainda mais meritório se tivermos em conta que o Valência teve uma época muito atribulada, com três treinadores diferentes e resultados muito abaixo do esperado, enquanto o Benfica fez uma grande época, sendo campeão.




Ainda assim, nem Cancelo nem Semedo se podem queixar de falta de oportunidades na seleção. Cédric, que parece agora ser o titular português na lateral direita, teve de fazer 91 jogos e 8073 minutos por Académica e Sporting até ter a oportunidade de se estrear por Portugal.